Adiamento não é cancelamento: esses motivos mostram por que o #AdiaEnem é urgente

Só a pandemia tá pouco pro governo Bolsonaro, então a gente teve que desenhar o porquê o adiamento não é nenhum capricho

“Como é uma competição, tá justo” é a frase do ministro da Educação, Abraham Weintraub sobre manter as datas do Enem 2020. Parece que as crises de saúde, política e econômica não são suficientes para fazerem o MEC de Bolsonaro perceber que as condições do país (e do mundo!) estão completamente inviáveis para a realização do exame.

Por isso, preparamos uma lista com os motivos principais que mostram como adiar o Enem é urgente. Afinal, precisamos mobilizar todo mundo para garantir que os estudantes não sejam prejudicados, já que o governo Bolsonaro é perito em irresponsabilidades.

Lembrando que no dia 15 de maio é o Dia Nacional pelo #AdiaEnem nas redes, fique ligado nas nossas páginas para acompanhar todas as atividades.

1 – Estamos no meio de uma pandemia

Pode parecer óbvio, mas não é pra todo mundo. Principalmente para o governo Bolsonaro e seus aliados que insistem em negar as recomendações da OMS e até do seu próprio ministério da Saúde.

Enquanto o mundo está próximo a atingir a marca de 300 mil mortes pelo coronavírus, sendo que 11 mil são só do Brasil, o presidente prefere passear de jet ski por Brasília. Não tem como continuar ignorando a quantidade de vidas que estão sendo destruídas não somente pela pandemia, mas pela falta de responsabilidade do governo federal.

2 – Estudantes enfrentam dificuldades para estudar

A situação de muitos estudantes foi terrivelmente agravada pela pandemia. Se antes, na escola, já era difícil manter uma rotina de estudos para a preparação do exame, agora com a suspensão das aulas é impossível.

Alguns estudantes conversaram com a UBES. O secundarista Victor Gabriel de 16 ano que estuda numa escola pública em Santo André (SP) não tem nenhuma atividade escolar para fazer durante a quarentena.Já a estudante Luiz Guimarães de 18 anos estuda no Instituto Federal do Paraná e conta que está sendo difícil se concentrar com irmãos menores em casa, já que o espaço é pequeno.

“Além de estudar pro vestibular, estou fazendo o TCC [comum no último ano dos IFs] e é muito difícil conciliar as duas coisas em casa, longe da minha orientadora”, esclarece Luiza. Nas periferias a dificuldade dos estudantes é ainda maior, mas o MEC prefere ignorar isso. 

3 – Vestibulares do mundo inteiro estão sendo adiados

Dos 18 principais vestibulares equivalentes ao Enem em outros países, 14 adiaram a prova, segundo esse levantamento. Dentre eles, o maior vestibular do mundo, o Gaokao na China, também teve sua data postergada. É evidente que uma situação de pandemia a preparação para o exame fica inviável, mas no Brasil, o governo federal não vê problemas com isso.

4 – Ensino à distância não é uma solução, nem uma opção

Há um interesse dos tubarões da educação em implementar aulas EaD como uma solução, mas a desigualdade social impossibilita o acesso a esse tipo de plataforma. Estudantes das periferias, zona rural e indígena são duramente afetados com esse modelo de ensino pensado para a elite.

25,3% das casas não têm acesso à internet representando 45,9 milhões de brasileiros, segundo o IBGE. Na zona rural, o dado é ainda pior pois 50,8% também estão desconectados. Ou seja, esse modelo é excludente já que não atende todos os estudantes.

5 – O MEC não conhece (nem quer conhecer) a realidade da educação brasileira

Weintraub teve a audácia de dizer em vídeo para os estudantes se prepararem pro exame pois “vai querer ver a gente numa universidades federal ano que vem”. OI???

Desde que assumiu o mandato, o que mais o ministro fez foi atacar a universidade pública cortando investimentos, atacando a democracia interna das instituições e ignorando projetos necessários. E claro, não podemos esquecer da famosa “balbúrdia” que ele utilizou em tom de ameaça para cortar verbas. Hipocrisia tem limites.

6 – Adiamento não é cancelamento

O MEC faz parecer que o movimento estudantil quer cancelar o Enem por diversão, já que não entende a gravidade do assunto. Nenhum estudante quer perder a oportunidade de fazer a prova, mas queremos realizar em condições justas e viáveis para preparação do exame. 

A presidenta da UBES, Rozana Barroso deixa claro que os estudantes querem fazer o Enem sim, mas numa data justa para todos. “O Enem é a porta de entrada para muitos estudantes sonhadores que querem construir um futuro melhor para a sua vida e de suas famílias. Weintraub ignora toda a situação que estamos vivendo e comete uma injustiça, pois muitos não tem condições de se preparar para a prova”, completa Rozana.

Não é de hoje que o governo Bolsonaro não se importa com os estudantes, pois desde que assumiu o mandato a Educação brasileira sofre mais a cada dia. Por isso, vamos pressionar o governo a ouvir o movimento educacional pelo adiamento do Enem. Bora mobilizar a galera pra participar do #15M!