#AdiaEnem: Estudantes comemoram vitória pelo adiamento, mas a luta continua

Dentro de casa, a mobilização na internet foi tão grande que fez o MEC recuar na decisão de manter o calendário do Enem, mesmo na pandemia

Os estudantes comemoraram ontem (20) que toda a luta valeu a pena com a decisão oficial do MEC pelo adiamento do Enem 2020. Depois de mais de 50 dias de intensa mobilização nas redes sociais com a hashtag #AdiaEnem, o ministro da Educação, Abraham Weintraub ficou num beco sem saída quando a reivindicação estudantil chegou no Congresso Nacional.

O projeto de lei 1.277/2020 da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) que previa o adiamento do Enem foi colocado em votação no Senado, na última terça-feira (19). A votação foi quase unânime (75 favoráveis contra 1), senão pelo único voto contrário do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Como a derrota do governo ficou escancarada já que também perderia a votação na Câmara, o MEC recuou.

https://www.instagram.com/p/CAa-SDFhb-d/

Em nota, a UBES e a UNE afirmam que essa vitória é “fruto dessa intensa pressão dos estudantes e mais uma derrota vergonhosa para Bolsonaro e o Weintraub, reforçando a incapacidade deste governo para tratar da Educação”.

A decisão foi pelo adiamento de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais. Weintraub está utilizando uma votação online com os candidatos inscritos na prova para decidir a nova data. A atitude é excludente, já que não contempla os estudantes que não puderam se inscrever por não ter acesso à internet. É preciso que o MEC ouça não só os estudantes, mas especialistas, profissionais da educação e até da saúde, por conta da pandemia.

A presidenta da UBES, Rozana Barroso diz que essa foi mais uma derrota de um ataque do governo Bolsonaro na Educação e que o debate sobre as novas datas ainda não terminou. “Nossa vitória foi linda, mas a luta permanece. Vamos ficar de olho para que sejam debatidas datas justas com estudantes, professores e todo o movimento educacional do Brasil. Nossos sonhos não podem ficar somente nas mãos de quem não valoriza a educação pública, estaremos atentos”, completa Rozana.

Como começou

Estudantes do Brasil inteiro ficaram em intensa mobilização nas redes sociais por mais de 50 dias.

Com a preocupação da suspensão das aulas e o aumento de casos do coronavírus, a UBES e a UNE criaram uma petição online que reuniu quase 400 mil assinaturas, pressionando o MEC pelo adiamento do Enem. A mobilização foi ganhando força nas redes e recebeu apoio de influenciadores, artistas e ativistas pela educação.

No dia 15 de maio, o #TsunamiDaEducação voltou, dessa vez em casa em respeito ao isolamento social. Os estudantes inundaram as redes com tuitaços, comentaços e debates. A data também comemorou um ano da luta contra os corte na Educação, onde o governo Bolsonaro foi derrotado pela pressão da juventude.

A quantidade de motivos é bem grande, já que durante a pandemia o abismo da desigualdade social aumentou e muitos estudantes que não têm acesso à internet não poderiam se preparar para o exame ou mesmo se inscrever. O governo Bolsonaro seguiu negando a necessidade da mudança. Weintraub chegou a dizer que estava “justo” pra todo mundo, já que se tratava de uma competição.

O Enem é uma porta de entrada para a democratização do acesso ao ensino superior, principalmente por meio de programas como o Prouni e o Sisu. Manter as datas da prova, que foram pensadas antes da pandemia, seria uma injustiça. Agora, o movimento estudantil segue acompanhando as notícias sobre a pandemia e fica de alerta nas ações do MEC para que a juventude não seja prejudicada.