Sartori, não feche minha escola!

Em meio a enxugamento de unidades no Rio Grande do Sul, conheça a luta do colégio Costa e Silva para continuar de portas abertas

“Não abram nenhuma vaga para o turno da tarde em 2018”. Esta foi a ordem que a direção da escola estadual Presidente Costa e Silva diz ter recebido da 1º Corregedoria Geral do Ensino (CGE) no começo do ano. Depois de conversa com os professores, porém, a comunidade escolar decidiu que resistiria em nome dos cerca de 200 jovens nos 7º, 8º e 9º anos.

Faixas, manifestações e carros de som agitaram o bairro de Medianeras, na capital gaúcha, nesta semana. A comunidade criou um abaixo-assinado pela permanência dos estudantes e a direção resolveu abrir normalmente as matrículas.

Questionada pelo site da UBES, a assessoria da secretaria de Educação informou que a prefeitura, dona do espaço, pediu para usar o prédio de tarde. Segundo a Seduc, os estudantes do ensino fundamental foram transferidos para outra unidade na mesma rua com comodidade.

Estudantes, no entanto, questionam a possibilidade. “Na EEEF Venezuela as turmas já estão cheias! Outro colégio já foi fechado na região, o Alberto Bins. Não tem como uma unidade receber os adolescentes de outras duas, ainda mais uma unidade com infraestrutura péssima e goteiras nas salas de aula”, observa Daniele Kriguer, do 2º ano e membro do Conselho Escolar.

Professora de História, Silvia Ellers aponta ainda para outras questões além números: “Não podemos quebrar uma relação de 50 anos na comunidade nem encerrar projetos pedagógicos importantes”.

Mais de 2 mil turmas fechadas no RS

Em julho de 2017, o secretário de Educação Ronald Krummenauer e o governador José Ivo Sartori (PMDB) confirmaram, em entrevista coletiva, o fechamento de turmas desde 2015 e que em 2018 mais salas seriam extintas. Apesar disso, não apresentaram um balanço de quantas e quais. O Centro de Professores do RS (CPERS) calcula 2.256 turmas a menos em 2017.

Segundo a Seduc, a ideia é diminuir a quantidade de salas para melhorar a qualidade do serviço em menos unidades. “O objetivo do governo é, na verdade, enxugar para evitar novas nomeações de professores. Faltam pelo menos 400 professores nas escolas”, rebateu o CPERS.

“Está claro que o plano é fazer com que a rede pública apenas forme mão de obra barata e a educação seja privatizada”, ataca Daniele.

Apesar do sexto ano do Costa e Silva já ter sido fechado ano passado, a secretaria afirma que a questão do fim do turno vespertino não tem relação nenhuma com a ‘reorganização’: “A Seduc está promovendo uma reorganização na rede, e fechamento de escolas com baixo número de matrículas está entre as medidas, mas a ação nada tem a ver com o caso da Costa e Silva”.

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