Luta secundarista resiste nas 236 escolas ocupadas em todo Brasil

Estudantes denunciam cenário nacional de abandono da educação; entre pautas unificadas e específicas, movimento cobra ações imediatas contra o sucateamento do ensino

A Primavera Secundarista permanece em curso no Brasil com mais de 236 escolas ocupadas em cinco estados. “Ocupar e resistir” é o lema bradado nas dezenas de colégios onde estudantes e grêmios estudantis denunciam o sucateamento da educação.

O movimento levanta uma série de denúncias sobre o desvio de verbas na educação, contra a privatização e projetos conservadores que ameaçam instalar diversos retrocessos no ensino público. A juventude também reivindica mais investimentos para suprir necessidades básicas como a falta de merenda, escolas que estão com suas estruturas comprometidas e o embate contra a desvalorização dos professores que estão em greve em diversas regiões.

– Bahia
1 escolas ocupadas

PAUTA: Na escola estadual Altamiro Barroso, em Salvador, a ocupação exige eleições diretas para direção escolar, contra o autoritarismo e a falta de diálogo entre a direção e o corpo estudantil. Problemas estruturais: falta de uniformes desde 2014, escola sem reforma há mais de 15 anos, prédios sem pátios e salas de aula sem ventilador.

– Ceará
59 escolas ocupadas
PAUTA: Em apoio à greve dos professores, contra a militarização e municipalização das escolas públicas. O sucateamento das instituições também é mote de luta das ocupações que denunciam a baixa qualidade da merenda e defende eleições diretas para diretor.

– Mato Grosso
25 escolas ocupadas

PAUTAS: Em seis cidades, estudantes protestam contra a ameaça de privatização de 76 escolas estaduais e 15 Centros de Formação e Aperfeiçoamento Profissional (Cefapros).

O movimento, que apóia a greve dos professores, também pede a apuração das denúncias de superfaturamento na compra das merendas escolares, contra corrupção no governo e pressiona pela abertura imediata de uma CPI. Atualmente, a Secretaria de Educação está sob investigação por suposto envolvimento em esquema de propina na realização de obras de reforma e construção de escolas.

– Pará
1 escola ocupada

PAUTA: Com prédios sucateados, sem professores e merenda inadequada, estudantes ocupam a estadual Remigio Fernandes, no nordeste do estado, denunciando também a falta de transporte escolar.

– Rio Grande do Sul
Mais de 150 escolas ocupadas

PAUTA: O movimento de ocupação das escolas foi iniciado junto à greve dos professores. As principais reivindicações é vetar a tramitação do Plano de Lei nº 44/2016, que visa privatizar serviços das escolas estaduais e o PL 190/2015, “Escola Sem Partido”, nomeado pelos estudantes de “Lei da Mordaça”, projeta que tenta impedir o debates sobre política, sexo e religião nas salas de aula.

QUEM JÁ DESOCUPOU

Após travar debates com governos estaduais, enfrentar a repressão policial e resistir às tentativas de calar os estudantes, no Rio de Janeiro, Paraná e em São Paulo as ocupações foram encerradas com as primeiras vitórias da Primavera Secundarista.

A luta paulista culminou com a instalação da CPI da Merenda, após a ocupação da Assembleia Legislativa que causou comoção geral ao denunciar o esquema de propina que segue em investigação.

No Rio, a bandeira da gestão democrática resultou na garantia legal que estabelece eleições diretas para direção escolar e ainda a destinação de verbas para os colégios que denunciaram o sucateamento da estrutura física.

Apesar das conquistas, as lutas continuam! Os secundaristas paranaenses que também encerraram as ocupações são exemplo disso. O movimento permanece realizando Blitz na Assembleia Legislativa para pressionar até que o governo cumpra o compromisso firmado com os estudantes, entre eles, a garantia de participação do movimento estudantil no Conselho de Alimentação Escolar, regularização dos editais de alimentação e prestação de contas aos secundaristas que denunciaram desvio de verbas na compra de merenda e contratação de mais funcionários.