RS: Estudantes ocupam Assembleia Legislativa e são mantidos em cárcere privado

O governador resiste em dialogar com os secundaristas e limita a entrada de alimentos

De acordo com os estudantes que ocupam a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul desde a tarde de ontem (13/6), o governador Sartori está limitando a entrada de cobertores e alimentos na ocupação, além de impedir o acesso de outros estudantes no local.

Os secundaristas gaúchos já ocupam mais de 160 escolas no estado e decidiram ocupar a Casa Legislativa para vetar a tramitação do Plano de Lei nº 44/2016, que visa privatizar serviços das escolas estaduais. A pressão estudantil impediu a votação do Plano que aconteceria nesta terça (14), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), retirada da pauta do dia por falta de deputados na sessão.

Segundo a secundarista, Fabiana Amorim, é importante unificar o movimento para pressionar o governo contra o PL 44: “Pensamos nesta ocupação porque o governo disse que não negociará com a gente mesmo com 1 mês de ocupações nas escolas. Hoje, a presidenta da Assembleia, Silvana Covatti, decidiu colocar a polícia aqui, impedindo o acesso de nosso colegas que dormiram na rua! A entrada de comida permanece restrita”.

Entre as exigências, os secundaristas protestam para que o plano seja votado apenas em 2017, para que haja tempo de ser discutido amplamente em debates públicos. Outra reivindicação ocorre em torno do Plano de Lei nº 190/2015, chamado “Escola Sem Partido”. Os estudantes nomearam o projeto de “Lei da Mordaça” e denunciam os retrocessos que o mesmo representa ao indicar o veto aos debates sobre política, sexo e religião nas salas de aula.
Para a secundarista e presidenta da UBES, Giovana de Souza, o protagonismo da juventude é uma das maiores conquistas: “Diante da nossa trajetória, que chegou até aqui, na Assembleia Legislativa, diante do desmonte da educação, é legítimo o protagonismo do movimento secundarista. Temos febre de luta e somos linha de frente pelos repasses de verbas”. O secundarista Pedro Duarte, completou: “Esse é único jeito de conseguir uma reação às nossas pautas, provocando a opinião pública”.

 

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