Estudantes lutam por banheiro unissex em escola do Rio Grande do Sul

Com a intenção de desconstruir o machismo e a segregação de gênero, um projeto piloto será enviado à Secretaria de Educação

Tudo começou com uma brincadeira, que acabou virando papo sério no Instituto Estadual Rio Branco, em Porto Alegre (RS). Sem indicação de uso na porta do banheiro, os estudantes confeccionaram uma placa artesanal escrito “unissex”. Mesmo questionados pela vice-diretora, que retirou a placa, os secundaristas democratizaram o acesso ao local e a experiência foi positiva.

No último dia 11 de março, um debate com professores, direção escolar e as turmas decidiu por meio de votação a experiência de utilização de um banheiro unissex em um dos prédios da instituição. A ideia dos estudantes é criar um projeto piloto que será apresentado à Secretaria de Educação. A proposta inicial é que a utilização compartilhada do banheiro seja realizada somente no andar das turmas do 3º ano do ensino médio durante um semestre, período em que o experimento deverá ser amplamente debatido com todas as classes.

A secundarista Giovana de Souza diz que a experiência tem dado certo. “A escola é um espaço de desconstrução das diferenças, ainda mais em nossa sociedade machista que incentiva essa segregação de gênero. Nosso projeto do banheiro unissex surgiu para inclusão e pelo respeito aos estudantes transgêneros e LGBT’s que se sentem constrangidos e oprimidos”, explica.

QUEBRANDO O TABU

Apesar de grande resistência dos setores conservadores que tem barrado por todo país a inclusão da discussão de gênero e sexualidade nos planos municipais de educação, o debate de pautas desse tipo tem ganhado cada vez mais força nas salas de aula, como aconteceu no movimento “Vai ter shortinho sim!”.

“Nossa vontade é quebrar tabus, e nossa experiência mostra que deu certo. Os estudantes não podem reproduzir machismo, e a questão do banheiro é uma forma concreta de desconstruir essas coisas”, finaliza Giovana.

Para diretora de Comunicação da UBES, Fabíola Loguercio, que também veio das salas de aula gaúchas, essa é uma bandeira essencial do movimento secundarista. “Os estudantes sabem que é responsabilidade do Estado garantir, através da educação, o respeito e o diálogo  por essas demandas. Não respeitá-las significa fortalecer mecanismos reprodutores de preconceitos a que a educação brasileira é submetida há anos”, critica.