A UBES quer mais shortinho sim!

Entidade se junta à luta das estudantes pelo fim da proibição dos shorts curtos nas escolas

A pauta das regras de vestimentas nas escolas de ensino médio e fundamental voltou à tona no mês passado. Com o início do ano letivo, alunas do tradicional colégio Anchieta, de Porto Alegre (RS), se mobilizaram contra a proibição do uso de shorts curtos no ambiente escolar.

O empoderado abaixo-assinado Vai ter shortinho sim, redigido pelas estudantes gaúchas, viralizou na internet e até a tarde de hoje (10) já tinha angariado quase 25 mil assinaturas de apoiadores da campanha.

No documento, as meninas reclamam das normas que “reforçam e perpetuam o machismo, a cultura do estupro e slut shaming”. Isso porque a justificativa da instituição para proibir os shortinhos é evitar que os meninos “se distraiam” durante as aulas.

“Em vez de humilhar meninas por usar shorts em climas quentes, ensine estudantes e professores homens a não sexualizar partes normais do corpo feminino.  Nós somos adolescentes de 13 a 17 anos de idade. Se você está sexualizando o nosso corpo, você é o problema”, escrevem.

“Mais uma vez nos culpabilizam por uma opressão que sofremos e tiram mais uma vez um direito das mulheres, em vez de focar em uma reeducação para sociedade. Mais uma vez nosso corpo é tratado como um pecado, como um objeto sexual para chamar a atenção dos demais”, diz Brisa Bracchi, diretora de Mulheres da UBES.

O caso do Anchieta inspirou outras escolas do Brasil a se mobilizarem pelo fim das proibições, na capital e no interior de São Paulo e em Florianópilis (SC). No ano passado, as estudantes do colégio paulistano Etapa, conseguiram que a escola revogasse as regras de vestimenta depois de coletarem 4 mil assinaturas online.

A UBES apoia as alunas de Porto Alegre e todas as outras que lutam por normas mais justas nas escolas. “Não é uma questão de estética e sim de saúde e conforto. A gente vive em um país tropical, e o vestuário que precisamos usar todos os dias na sala de aula não é repensado”, explica Brisa.

Para ela, o debate é importante porque escancara o machismo que predomina nas instituições de ensino. “O mais indignante e inaceitável é que os argumentos utilizados pelos professores e diretores são de um viés extremamente machista, como dizer que a roupa curta ou colada no corpo vai desviar a atenção dos meninos.”

A UBES lança uma campanha convocando as secundaristas do Brasil a fazerem suas fotos de protesto contra a proibição do shortinho nas escolas. Brisa Bracchi e a presidenta Camila Lanes já entraram na onda, com os dizeres: “Diretores (as), não punam as estudantes por sentir calor. Ensinem os meninos a não assediar.” Participe!