Mel Gomes, presente: Jovem ativista deixa legado de inspiração e luta na UBES

Após morte precoce, ativista e produtora cultural é lembrada como referência para sua e outras gerações

Nesta terça, 22/02, o movimento estudantil está de luto pela morte prematura da carioca Mel Gomes, aos 33 anos. A produtora cultural, ativista da Educação e do hip hop compôs a UBES em 2011 e 2012, sendo vice-UBES no seu estado, antes de ser diretora de Cultura na UNE. Ao longo do dia, foi homenageada com lembranças de companheirismo, sonhos e incentivos que compartilhava. 

“Mel acreditou em um mundo muito mais bonito do que esse em que vivemos e vamos continuar lutando para construí-lo”, escreveu Rozana Barroso, presidenta da UBES.

A presidenta da UNE, Bruna Brelaz, ressaltou“A história de Mel e sua trajetória vai ficar memorizada. Mel será sempre inspiração e potência. Sempre.”

O artista Lucas Koka Penteado somou às homenagens: “Já vi gente lutar de muitas formas. Mas sorrindo como ela, só ela”.

Sonhos e lutas secundaristas

A jovem carioca Mel Gomes compôs a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas como vice-UBES no Rio de Janeiro em 2011 e 2012, quando estudava no Colégio Estadual Amaro Cavalcante, no Largo do Machado. Ela presidiu ainda UEES-RJ e fez parte da AMES Rio.

Segunda da direita para a esquerda, Mel no Congresso da AMES no RJ em 2011

Nesta época, ajudou a construir o 1º Encontro de Grêmios da UBES, em 2011, e a Marcha dos Estudantes em Brasília, em 2012, quando a conquista do Plano Nacional de Educação era o grande sonho secundarista.

À direita, Mel Gomes representa a UBES na Marcha dos Estudantes em Brasília, junho de 2012

Em uma entrevista da época, ela contou sobre suas lutas naquele período: “Além dos 10% do PIB, lutamos pela melhoria da infraestrutura das escolas e universidades públicas do país, a valorização dos professores e demais funcionários dessas instituições, além do acesso e democratização do ensino superior.”

Mel em 2012, na luta por investimento na educação e acesso ao ensino superior

Acesso à universidade e cultura

Alguns anos depois de lutar pela democratização da universidade na UBES, ela mesma conseguiu acesso à Universidade Federal Fluminense, cursando Produção Cultural.

Sua trajetória sempre foi acompanhada pela proximidade do universo hip hop, tendo sido vice-presidente da entidade Nação Hip Hop.  Muitos lembram sua desenvoltura para rimar em batalhas de MCs e da referência que era para estudantes mais jovens, como artista, mulher, negra e LGBT.

Em entrevista ao site da UBES em 2020, ela se mostrou bastante consciente dos avanços que sua geração trouxe e, principalmente, de que a luta continua sempre:

“A gente não falava na escola sobre o que é ser negro, o que é ser mulher ou o que é ser LGBT. A gente sabia que tinha alguma coisa errada, todo mundo se olhava entre si, mas o normal era não falar sobre. Acho que o avanço nesses debates faz com que hoje uma criança negra reconheça que é negra, lute pelo seu espaço. Mais cedo ela se torna consciente de que o racismo e o machismo não podem ser o normal para a vida dela”.

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