Estudantes debatem principais temas da geração no 44º CONUBES

Evasão, crise, meio ambiente, racismo e assédio foram temas no primeiro ciclo de debates do 44º Congresso da UBES, com 7 mesas simultâneas e mais de 7 mil estudantes do Brasil todo

Os mais de 7 mil estudantes de todas as regiões do país que se espalharam pela Arena BRB Nilson Nelson nesta sexta (13/05), no segundo dia do 44º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), mostraram que, além de escapar do agravamento da evasão escolar, a juventude almeja uma educação que dê espaço para sua potência, ao debater temas como crise econômica, meio ambiente, racismo e assédio.

Foram sete mesas simultâneas com dezenas de convidados e participação ativa dos secundaristas de todas as regiões do país.

(Foto: Karla Boughoff)

Em 2021, o Conselho Nacional de Juventude fez uma pesquisa que revelou que 43% dos estudantes no Brasil pensavam em deixar a escola, tanto pela dificuldade de acessar o modelo remoto, quanto pelas dificuldades financeiras. Segundo Marcos Barão, presidente do Conjuve presente no Congresso, a evasão causa um impacto de mais de 200 bilhões de reais por ano ao Brasil. E, ainda mais importante, causa um impacto na vida de cada jovem que tem seus sonhos ceifados.

Marcus Barão na mesa “Ninguém Tira o Trono do Estudar” (Foto: Thaynan Diniz/ Circus da UBES)

Silenciamento x potência da juventude

Para quem consegue seguir na escola, as ameaças também são muitas a um ensino de qualidade que estimule o protagonismo de cada estudante. A militarização das escolas, um dos principais projetos apresentados pelo governo de Jair Bolsonaro para a educação, foi criticado por calar a democracia nesse espaço, em mesa com a educadora popular Kelly Araújo, o professor Guilherme Amorim, representante do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF, e o deputado federal Orlando Silva.

Deputado Orlando Silva fala sobre militarização das escolas (Foto: Karla Boughoff)

Orlando Silva, que viu a escola onde estudou e presidiu um grêmio ser recentemente militarizada, afirmou que o modelo viola a essência da educação, pois visa padronizar a estética, o comportamento e o pensamento dos estudantes. Toda a mesa concordou que isso fere a Constituição, que garante o direito à singularidade, além do Plano Nacional de Educação e o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Educação antirracista, educação que importa

Se, por um lado, há um movimento de silenciamento na educação, por outro há cada vez mais interesse da geração Z em refletir sobre questões sociais como racismo, machismo, LGBTfobia e destruição do meio ambiente. A professora de História Keilla Villa Flor, criadora do projeto “Tem Cor No Ensino” e participante de uma mesa sobre combate ao racismo, acredita que a geração atual tem pautado estes temas em sala de aula e que professores e estudantes podem ser aliados por uma escola mais justa.

Ela rebate o conceito de “doutrinação” que tem se difundido: “Essa ideia de doutrinação é de quem nunca pisou numa escola e não entendeu que vocês já trazem o que pensam, debatem e se põem no mundo como seres pensantes”.

Mesa debate o combate ao racismo na escola (Foto: Ario Liveiras/ CIRCUS da UBES)

“A casa 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Ver isso lotado é dizer que somos resistência.” Felipe Oliveira, diretor de Grêmios da UBES (Foto: @beneditapoesia | Circus da UBES)

Ampliar a visão sobre assédio

A mesa “Chega de assédio! Por uma escola segura para as meninas” abordou essa questão tão presente nas escolas nesse retorno às aulas presenciais, com a mestra em Políticas Públicas e Sociedade Hayeska Costa Barroso, a coordenadora do movimento Olga Benário Thais Oliveira e a deputada estadual Isa Penna, que defenderam mais debates sobre isso para ampliar o entendimento.

Mesa “Chega de Assédio! Por uma escola segura para as meninas” (Foto: Giuliana Teixeira/ Circus da UBES)
(Foto: Junior Lima/ CIRCUS da UBES)

A deputada estadual Isa Penna comentou o assédio que sofreu na Assembleia Legislativa de São Paulo e compartilhou a sensação de inação que essa situação provoca, convidando à reflexão de que essa violação à intimidade faz parte de algo maior: uma estrutura que sempre explorou o trabalho de cuidado das mulheres e que produz um ambiente externo agressivo para elas.

“Não basta bater de frente. Precisamos debater nos nossos espaços e criar outras formas de masculinidade no mundo”, concluiu a deputada.

(Foto: Bel Vale/ CIRCUS da UBES)

Meio ambiente, presente e futuro

Na mesa sobre educação ambiental, José Sobreiro Filho, do Núcleo de Estudos Amazônicos, criticou a diminuição das cargas horárias de matérias como história e geografia, pois são fundamentais para que as novas gerações possam compreender e agir pela crise ambiental. Segundo ele, desastres como o de Petrópolis, Mariana e Brumadinho atingem as pessoas mais pobres, vítimas de um modelo de produção que ataca o meio ambiente. De acordo com os convidados, a educação deve contribuir com a compreensão da realidade.

O 44º Congresso da UBES continua até 15 de maio na Arena BRB Nilson Nelson, em Brasília (DF).

(Foto: Milena Nogueira)