UBES lança Manifesto pela Vacinação de Adolescentes

A vacinação se faz necessária em adolescentes de 12 a 17 anos contra a COVID-19. A segurança sanitária escolar é essencial para bloquear a circulação do vírus e garantir o direito à educação. Leia o Manifesto na íntegra ao final desta matéria

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) autorizou em junho deste ano o uso de vacinas contra a COVID em adolescentes de 12 a 15 anos, sendo que já existia autorização prévia para pessoas com 16 anos. Com esta informação, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e demais entidades lançam um manifesto no qual pedem a inclusão desta faixa etária no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19. O pedido é feito sobre a indicação feita ao Ministério da Saúde pela deputada federal Maria do Rosário (PT/RS), que recebeu o reforço do posicionamento do ministro do STF, Gilmar Mendes, da urgência em incluir este público, baseado na excelente experiência internacional.

“Já poderíamos estar mais avançados na vacinação, mas ainda temos que lutar para que estudantes de 12 a 17 anos entrem no Plano Nacional de Vacinação! A vacina é fundamental para resguardar o direito básico à educação e a segurança de suas vidas. Além disso, é a partir da escola que se constrói toda a segurança sanitária da comunidade. Sabemos que a pandemia já causou uma grande evasão escolar e comprometeu a educação de milhares e essa situação não pode se estender”, explica Rozana Barroso, presidenta da UBES.

É preciso reforçar que a vacinação em massa e medidas sanitárias, como distanciamento social, máscaras e álcool gel, têm sido a estratégia mais eficaz para enfrentar a pandemia de Covid-19 em todo o mundo. No Brasil,  seus efeitos foram nefastos, levando a vida de 540 mil pessoas e um dos segmentos mais afetados pelas políticas negacionistas do atual governo foi o de estudantes.

Além da UBES, a União Nacional dos Estudantes (UNE), defende com veemência esta expansão: “Incluir adolescentes no plano de vacinação é extremamente importante para o país e para que possamos superar a pandemia”, alerta a estudante Gabriela Silveira, vice-sul da entidade.

A Associação de Vítimas e familiares de Vítimas  da Covid 19, a AVICO Brasil, também se somou a este movimento: “A inclusão dos adolescentes de 12 a 15 anos no programa nacional de imunização é fundamental para garantir o retorno seguro das aulas e reduzir a circulação do vírus nas cidades”, afirma o advogado Gustavo Bernardes, presidente da entidade.

Leia o manifesto:

MANIFESTO PELA INCLUSÃO DE ADOLESCENTES NO PLANO NACIONAL DE VACINAÇÃO

No dia 11 de junho de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) autorizou o uso e a mudança da bula vacinal de uma das vacinas, permitindo assim a aplicação desta em adolescentes de 12 a 15 anos contra a COVID-19, sendo que já existia autorização prévia para pessoas com 16 anos ou mais para essa vacina. Considerando essa informação, nos manifestamos pela inclusão dessa faixa-etária no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19. No presente documento, apoiamos e reafirmamos a Indicação 782/21 realizada pela Deputada Federal Maria do Rosário ao Sr. Ministro da Saúde para a inclusão, em caráter de urgência, de adolescentes de 12 a 17 anos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19.

É preciso considerar a segurança sanitária a partir da comunidade escolar, por se tratar de um grande contingente populacional que convive em ambientes os quais – sem a previsão da vacinação para adolescentes de 12 a 17 anos – poderão acarretar na continuidade da circulação do vírus, da mutação e da evolução viral. Com isso novas cepas poderão surgir e prejudicar o combate à pandemia da COVID-19, colocando em risco estudantes, funcionárias/funcionários de escolas, professoras e professores, bem como mães e pais e familiares em geral, e ao fim e ao cabo toda a sociedade. São cerca de 20 milhões de jovens nessa faixa etária no Brasil, eles não podem ser ignorados.

A pandemia da COVID-19 coloca em risco o direito à educação. Um ambiente escolar que não coloque em risco a vida dos estudantes é fundamental para a garantia desse direito. Em 2019, o Brasil ainda apresentava uma taxa de analfabetismo de 6,6% e apenas 48,8% das pessoas com 25 anos ou mais haviam concluído o ensino médio. A falta de segurança sanitária impulsiona a probabilidade de evasão escolar e, consequentemente, o aumento da desigualdade educacional no país. Mais de 3 mil escolas no Brasil sequer tem água encanada. Ou seja, os estudantes sequer podem higienizar as mãos.

A Escola é um ambiente que promove o conhecimento, a segurança alimentar, o combate aos abusos de crianças e adolescentes, a diminuição da desigualdade social. Por isso, garantir o direito a um ambiente escolar com segurança sanitária deve ser prioridade para o governo brasileiro.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19 não prevê que adolescentes sejam vacinados, mesmo após toda população brasileira maior de 18 anos ser vacinada. Sendo assim, nós, adolescentes, organizações e entidades estudantis e juvenis, da área da infância, da educação, da saúde; do serviço social; de associações comunitárias; bem como de mães, pais e familiares de adolescentes assinamos este manifesto em um apelo pela inclusão dessa faixa etária. Nossa luta é pela vida de todas e todos. Somente com toda a população vacinada poderemos vencer esse vírus.