Porto Alegre, capital dos estudantes, capital da Democracia

UBES e UNE transferem sua sede para a cidade, momentaneamente, para lutar contra a judicialização da política e pelo direito do ex-presidente Lula ser candidato

Desde o ano de 1961, a cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, não viveu um momento tão histórico para o movimento estudantil brasileiro como o que aconteceu na tarde desta segunda-feira, 18 de janeiro de 2018. Assim como aconteceu há 57 anos, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e a União Nacional dos Estudantes transferiram a sua sede, simbolicamente, para a capital gaúcha em um momento crucial para a democracia brasileira.

Naquela época, o gesto impulsionou a Campanha da Legalidade, para garantir com luta a posse do presidente João Goulart. Agora, para marcar a jornada dos movimentos sociais contra a judicialização da política e pelo direito do ex-presidente Lula ser candidato nas eleições deste ano. A nova sede das entidades será, a partir de agora, o DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que reuniu os jovens na tarde de hoje. Também participaram diversos ex-presidentes e diretores das entidades estudantis de diversas épocas.

“Este é um ano em que debatermos projetos para a sociedade brasileira e não há como definir o futuro do Brasil sem o direito legítimo de qualquer pessoa se candidatar no processo eleitoral sem arbitrariedades que a impeçam. Essa é uma conquista que veio da luta de muitos, da luta dos estudantes brasileiros”, disse o presidente da UBES, Pedro Gorki. Ele classificou como emocionante a mudança da sede, que estará em vigor até o dia 25 de janeiro.

A presidenta da UNE, Marianna Dias, ressaltou a ousadia do gesto dos estudantes nesse momento: “Ao contrário do que alguns dizem, não se trata de pedir voto para ninguém, nem de apoiar uma ou outra candidatura, mas sim de defender os nossos princípios. Não derrotamos uma ditadura militar para viver agora a ditadura da toga, de quem se acha acima da lei para se utilizar da justiça de forma partidarizada e seletiva.”

Uma das falas mais importantes do ato foi do ex-presidente da UNE Aldo Arantes, que liderou os jovens na Campanha da Legalidade em 1961. Ele relembrou o clima na cidade naquele momento. “Chegamos e fomos recebidos com muita importância pelo governador Leonel Brizola. Era um momento de grande ameaça e tínhamos inclusive o receio de que o Palácio do Piratini fosse bombardeado por aviões do exército”, declarou. Aldo também disse aos jovens como o movimento reverberou a partir da criação da Rádio da Legalidade e da transmissão da mensagem dos defensores da democracia.

“A juventude é o fermento da mobilização da sociedade”, diz Aldo Arantes

Além de Aldo Arantes, participaram do ato o senador Lindbergh Farias (ex-presidente da UNE ), o deputado federal Orlando Silva (ex-presidente da UNE), a senadora Gleisi Hoffman (ex-dirigente da UBES), a deputada estadual Manuela D’ávila (ex-dirigente da UNE), o vereador de Campinas Gustavo Petta (ex-presidente da UNE), a ex-presidenta da UBES Camila Lanes, a ex-presidenta da UNE Carina Vitral, o ex-presidente da UNE Daniel Iliescu, a ex-dirigente da UNE Moara Correa, além de outros parlamentares e representantes dos movimentos sociais do Brasil e do exterior.

Ao final, o atual presidente da UBES fez a leitura emocionada de um texto poético de autoria de Pedro Tierra, lembrando a trajetória da juventude brasileira em luta durante diversos momentos da história do país. “Não estamos aqui por ódio, mas por amor ao nosso país”, disse Gorki ao final. Uma placa provisória foi instalada na sede do DCE da UFRGS. Lá está agora escrito que o local é a Casa do Poder Jovem.

Nesta terça e quarta, o movimento estudantil secundarista participa de diversas atividades pela democracia em Porto Alegre. Acompanhe pelo site e pelas redes da UBES.

Por Artênius Daniel, de Porto Alegre