Resistência é por todos os IFs, dizem reitores eleitos e não empossados

Para frear autoritarismo do MEC, UBES convoca #TiraMãoDoMeuIF e faz live com José Arnóbio de Araújo e Maurício Gariba, eleitos para o IFRN e IFSC

Na última semana, o Ministério da Educação surpreendeu ao nomear dois reitores para Institutos Federais que não os vitoriosos nas eleições das comunidades acadêmicas, como sempre acontece nos IFs. Imediatamente, estudantes lançaram novamente o movimento #TiraAMãoDoMeuIF, que ganhou enormes proporções em maio de 2019, e o #PosseDoReitorEleito.

Para os reitores eleitos e não empossados, essas campanhas nas redes são fundamentais, pois a falta de democracia pode avançar para o resto do Brasil. “O que aconteceu aqui é um balão de ensaio para ser replicado em outros IFs”, preocupou-se José Arnóbio de Araújo, eleito para o IFRN, em live da UBES. “Nossa reação precisa ser unificada”, complementou Mauricio Gariba, eleito para o IFSC.

Os dois reitores eleitos participaram de live com o presidente da UBES, Pedro Gorki, nesta terça (21/4). Eles se disseram surpresos e revoltados com a situação, mas confiantes na legalidade e na resistência de professores, trabalhadores e estudantes. A UBES tem recebido e postado manifestações de diversos campi!

Em tempos de pandemia e isolamento social, é preciso criar novas formas de reivindicar, colocou Arnóbio. Bora inventar?

Democracia para quê

Para Gorki, defender a posse dos reitores legítimos não significa defender estes reitores, mas sim o processo democrático das instituições. 

“Nossa instituição conquistou o processo de eleição há 35 anos e, desde 1985, essa é a primeira vez que é desrespeitado”, lamentou o professor Arnóbio, do IFRN.   

Professor Gariba, eleito no IFSC, faz questão de destacar a importância do processo eleitoral para os institutos: “Isso faz parte do processo de formação de nossos alunos. É um momento de discussão, de troca, de escuta”.

Segundo Gorki, o sentimento é o mesmo para secundaristas: “O que tem em comum entre nós, de todos os IFs e escolas, é a vontade cotidiana de construir o Brasil. E não só como trabalhadores, mas como cidadãos”. 

O que dizer da gestão de Weintraub e Bolsonaro? “O presidente que disse que ia ‘acabar com a partidarização’ na educação só faz o contrário”, disparou Gorki. 

Próximos passos

Para o professor Arnóbio, é essencial que o movimento ganhe as redes e projeção em todo o país. “Temos que furar as bolhas regionais. É um assunto de importância nacional”, afirmou.

Além disso, há caminhos jurídicos. Graças aos protestos, o Ministério Público Federal deu 10 dias para que o Ministério da Educação se explique e aponte o motivo para não ter respeitado a escolha da maioria. 

No caso do IFPR, o reitor nomeado pelo MEC, derrotado nas eleições, não aceitou o cargo. Outras candidaturas derrotadas demonstraram apoio à posse de Guariba, como a professora Consuelo Sielski, que esteve presente na live da UBES, em apoio ao processo democrático. 

É preciso ainda lutar contra a Medida Provisória 914, publicada no dia 24 de dezembro. Posterior às eleições no IFRN e no IFSC, ela muda o processo eleitoral nos Institutos Federais. Em vez de eleição direta com mesmo peso para os votos, a escolha se daria por lista tríplice e peso menor aos votos do corpo discente. 

Acompanhe o movimento pelas redes da UBES!