Precisamos falar de retorno responsável às escolas

UBES apresenta reivindicações para um protocolo real de volta às aulas presenciais

Voltar ou não às aulas presenciais e voltar como? Enquanto o governo federal trata o tema com negacionismo e displicência, se recusando a criar uma comissão para pensar nacionalmente a reabertura das escolas, a questão está sendo trabalhada em cada estado. Por isso, a UBES preparou uma lista reivindicações estudantis para que o retorno se dê com real segurança e respeito às comunidades escolares. 

Em julho, a diretoria da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas criou um fórum não-deliberativo para refletir sobre a educação na pandemia. Um documento elaborado neste espaço foi aprovado pela Diretoria Executiva da entidade e apresenta medidas importantes para o processo de reabertura. 

Com o documento, os secundaristas mostram preocupação com o aumento das desigualdades educacionais durante a pandemia e a continuidade do ano letivo: “É preciso construir as condições adequadas para que nenhum estudante fique para trás”. Mas ponderam: “No momento em que vivemos é necessário que o centro das nossas atenções esteja na defesa da vida do nosso povo”.

As reivindicações para a volta as aulas envolvem responsabilidade, planejamento e investimento. “Se faz necessário que qualquer debate que envolva o retorno presencial das aulas esteja embasado cientificamente e diretamente relacionado à adoção e garantia dos protocolos de segurança recomendados pela Organização Mundial da Saúde, além da testagem e do rastreio dos casos de COVID-19”, afirmam os secundaristas no documento.

Veja abaixo os principais pontos e acesse aqui o documento completo:

>>“SECUNDARISTAS EM DEFESA DA VIDA, DO BRASIL E DO ACESSO À EDUCAÇÃO”

Testagem permanente

O documento orienta testagem permanente, incluindo a realização de testes rápidos para COVID-19, aferição da temperatura corporal e pressão sanguínea. Para uma reabertura segura em cada região, o documento pede a constatação de uma redução drástica de novos casos, com duas semanas de curva descendente de contaminações e pelo menos 50% de disponibilidade dos leitos para tratamento da Covid-19 nas unidades de saúde.

Comissões e diálogo com a comunidade escolar

Além de respeito à ciência, é preciso respeito ao diálogo, autonomia e democracia. Não dá para pensar em retorno sem pensar primeiro em espaços de diálogo com estudantes, docentes, funcionários, gestão e profissionais da saúde. 

Investimento em estrutura e profissionais

Qualquer debate sério sobre retorno de aulas presenciais tem que ter embasamento científico e estar associado à investimentos. “Protocolo” não pode ser só uma palavra, deve ser um conjunto de ações e práticas, como: menos estudantes por turmas e distanciamento adequado, com contratação de mais profissionais da Educação; não utilização de salas e ambientes sem janelas, com investimento em novas estruturas.

Fornecimento de materiais de proteção adequados

As máscaras produzidas pela rede estadual do Amazonas chegaram a virar modelo de mal-exemplo nacionalmente. O fornecimento de sabão, álcool em gel, EPIs e máscaras de qualidade são o básico para a volta às aulas presenciais.

Segurança no transporte

Pensar no trajeto seguro dos estudantes entre suas casas e o ambiente escolar faz parte de um plano responsável de volta às aulas presenciais. É necessário garantir: condições sanitárias e protocolos da Organização Mundial da Saúde no transporte entre as residências e a escola e, claro, o restabelecimento do passe estudantil. 

Contratação de profissionais de psicologia e assistência social

Já passou da hora de efetivar a Lei 13.935/2019 de 2019. Neste momento, nossa antiga reivindicação é ainda mais imprescindível para o bem-estar e saúde dos estudantes.