Pela suspensão imediata das aulas!

Às secretarias de Educação municipais e estaduais e às gestões de escolas privadas brasileiras:

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas entende o momento delicado que vivemos com a chegada do Covid-19 ao nosso país e os desdobramentos que a nova pandemia pode ter no Brasil. O alarde e o pânico são inimigos nesta situação, mas a prudência e o bom senso se fazem necessários para evitarmos maiores problemas para as famílias brasileiras, principalmente as mais desassistidas.

Neste sentido, pedimos a suspensão imediata das aulas nas instituições secundaristas brasileiras, públicas ou particulares, pelo menos nos próximos 15 dias.

Sabe-se que, no caso da multiplicação exponencial de transmissores, os sistemas de saúde ficarão superlotados para testes e internações necessários. Ainda que jovens não estejam no grupo de risco do coronavírus, são potenciais transmissores para seus familiares, vizinhos e trabalhadores das escolas, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Sendo assim, é necessário um esforço coletivo de toda a sociedade brasileira para amenizar os danos que a nova pandemia traz. Cabe ressaltar a importância crucial do Sistema Unificado de Saúde (SUS), da pesquisa e da ciência no enfrentamento a essa situação. Fica ainda mais evidente que não cabe em nosso país um Teto de Gastos que deixa de fora os investimentos em nossas instituições públicas de saúde e educação, que deveriam ser a verdadeira prioridade nacional.

Destacamos também nossa preocupação extrema com a segurança alimentar de cada estudante, solicitando que os fornecimentos de merenda sejam mantidos, a exemplo da prática já adotada no Distrito Federal, que distribuirá um valor proporcional à quantidade de vezes que o estudante se alimenta na escola. A medida é essencial no país em que grande parte das crianças e jovens depende desta refeição.

Lembramos que as entidades estudantis nacionais – UBES, UNE e ANPG – adiaram a realização de manifestações pela Educação programadas para o dia 18 de março, em respeito às medidas de segurança de saúde pública. O movimento estará presente nas redes e, nas ruas, assim que for recomendável pela OMS e Ministério da Saúde.

Contamos com a prudência e medidas necessárias das gestões e secretarias, assim como do setor privado e público, no sentido de propor alternativas a cada trabalhador, mesmo os terceirizados, para que a pandemia seja o mais controlada possível, sem acarretar danos à população, principalmente às parcelas já menos favorecidas.

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
17 de março de 2020