21 de abril: 5 coisas para saber sobre Tiradentes…

...e outras aglomerações por soberania

Hoje em dia, não podemos nos aglomerar para protestar e, como não devemos sair de casa, um feriado muda pouco a nossa rotina. Mas o contexto político e⁹ mundial coloca ainda mais em evidência as questões sobre soberania, República, democracia e qual país queremos construir. Confira abaixo informações importantes sobre Tiradentes, a Conjuração Mineira e o feriado de 21 de abril.

1. Na Colônia, pensar em soberania era proibido

Aglomerar, podia. Mas as reuniões de inconfidentes em Vila Rica, atual Ouro Preto, aconteciam escondidas, na calada da madrugada, nas casas de padres, tenentes e oficiais, a partir de 1785. A Conjuração tramava a liberdade de Portugal, mas não chegou a acontecer, pois foi denunciada antes.

Em 21 de abril de 1792, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, acabou enforcado no Rio de Janeiro e usado como exemplo para inibir novos movimentos revoltosos. Cada parte do seu corpo foi exposta em um local diferente entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo a cabeça colocada em praça de Vila Rica. Tudo para amedrontar quem planejada e tramar contra o comando de Portugal.

2. Além de Tiradentes e cia, independência teve muitos levantes populares 

O dia do enforcamento do mineiro Tiradentes acabou virando feriado nacional, mas muitos morreram, em todo o Brasil, pela ideia de independência e soberania, durante o período colonial. Muitos deles, inclusive, mais populares do que o movimento da elite mineira. Alguns historiadores acreditam que inconfidentes não tinham exatamente um projeto de República, apesar de quererem se ver livres da exploração e comando de Portugal. A principal revolta da época era contra “o quinto”. Portugal tinha o direito de cobrar uma taxa de até 20% sobre a produção do ouro, explorando a riqueza do Brasil. 

Mas houve muitos movimentos por independência e soberania, antes e depois! A Conjuração Baiana, por exemplo, é do mesmo período e considerada mais popular, encabeçada por alfaiates. Outros exemplos: a Revolução Pernambucana, de 1817, a Independência da Bahia, de 1823, e muitas outras.

3. Imagem real de Tiradentes é desconhecida

Apesar do grande alarde que a Coroa fez ao condenar e matar Tiradentes, ele passou um século quase anônimo. Sua história foi resgatada pelo movimento republicano um século depois. Só então encomendaram um retrato. Acredita-se que a figura de cabelos longos tenha sido criada para se assemelhar da figura heróica de Jesus Cristo. Na realidade, seria muito incomum um dentista com cabelo comprido no século 18. Além do mais, qualquer condenado à forca tinha seus cabelos raspados antes da execução.

4. Teve estudante na Inconfidência

Achou que não tinha estudante nessa história? Teve, sim, mas nem é preciso dizer como o movimento estudantil era diferente naquela época, formado por filhos da elite que podiam ir para a universidade na Europa. 

Além de obter apoio para o levante, jovens de vários estados brasileiros, mineiros, paulistas, cariocas e nordestinos, todos matriculados na Universidade de Coimbra, em Portugal e Montpellier, na França, construíram uma aliança estratégica com os líderes da Inconfidência Mineira, entre os anos de 1785 e 1789. Muitos deles retornaram ao Brasil e se integraram ao levante de Minas Gerais. José Joaquim da Maia, um dos principais líderes do movimento, morreu antes de poder se juntar a seus companheiros no Brasil.

5. Teve mulher também

Apesar de calada pela história, a porta Bárbara Heliodora participou ativamente do movimento em Minas Gerais. Quem ficou conhecido foi seu marido, Alvarenga Peixoto, mas a professora da Unesp Adrienne Savazoni destaca sua importância como inconfidente e poeta. Acredita ainda que sejam dela os primeiros registros de poesia feita por uma mulher no Brasil. “A poesia se tornou, para essa forte mulher à frente do seu tempo, uma forma de resistência ao silêncio imposto às mulheres durante milênios.”