Você precisa de ajuda? 14º ENET falou da saúde mental de estudantes

Saúde mental no movimento estudantil e nas escolas instiga participação de alunos e alunas no 14º ENET

A permanência estudantil nas escolas passa não só pela questão financeira mas principalmente pelo viés psicológico da juventude brasileira. Esse foi o tema da mesa “Pelo direito de permanecer: Debatendo saúde mental, prevenção e assistência nas escolas” que movimentou a tarde deste sábado (19) no 14º Encontro Nacional de Escolas Técnicas.

A psicóloga Vivian Alves trouxe dados importantes sobre a saúde mental dos brasileiros. Ela afirma como nos últimos dez anos o número de suicídios entre jovens e estudantes aumentou mais de 40%.

Alves ressalta que o adoecimento psíquico tem piorado ainda mais diante de um cenário político crítico e que cada vez mais cedo a população está sendo atingida por doenças de origem mental. A psicóloga alerta que a falta de estrutura em escolas públicas torna a situação ainda mais agravante, tendo em vista que não há profissionais especializados dentro destes espaços.

Veto do Presidente Bolsonaro ao Projeto de Lei nº 3.688/00

Recentemente, o presidente do Brasil vetou o projeto que garantiria a presença de psicólogos dentro de escolas públicas. A relatoria do projeto na Câmara dos Deputados era da Dep. Jandira Feghali, do PCdoB e tinha o apoio de toda a classe de trabalhadores da saúde mental.

O tema não passou batido na mesa. O veto foi lembrado pelos debatedores e por diversos estudantes nas intervenções, sendo inclusive sugerido que a militância estudantil se organize para protestar quanto ao fato, tendo em vista a importância do assunto.

E se o estudante está dando sinais de que não está bem… O que se pode fazer?

O farmacêutico e mestre em saúde mental Damares Anderson chamou a atenção de todos os presentes no debate ao convidar os jovens para responderem: “O que é saúde?” “O que é saúde mental?”, “Como está a sua saúde mental?”. Os estudantes então iniciaram os relatos de como tem se sentido cansados, pressionados e muitas vezes sem saber como procurar ajuda.

Anderson exaltou a importância de se prestar atenção aos sinais, especialmente em momentos de mudanças de fases que são os que causam mais sofrimento, como a adolescência por exemplo. O mestre afirma que os vínculos são extremamente importantes para evitar o agravamento das doenças e até casos de suicídio – e que inclusive, esse assunto não deve ser tabu. É necessário sim falar sobre a prevenção do suicídio e tudo depende de como o assunto será tratado.

O pesquisador citou os avanços que houveram com a Reforma Psiquiátrica e a luta antimanicomial, com a implementação do RAPS – Rede de Atenção Psicossocial e o fortalecimento dos CAPS – Centro de Atenção Psicossocial. Damares ressalta a extrema necessidade das escolas dialogarem com os CAPS visando atendimento e conscientização dos estudantes.

Ele ainda orientou a juventude para procurar ajuda e indicou atividades que podem auxiliar na saúde mental como realizar atividades de lazer que gerem prazer, espairecer e inclusive fazer nada e sem sentir culpa por isso!

A responsabilidade das escolas também foi contemplada na fala de Tamara Mendes, diretora da UNE, que destacou como as direções escolares não tem se atentado às realidades pessoais dos estudantes e assim não conseguem oferecer a assistência necessária.

A diretora descreveu uma situação comum quando jovens tem crises de ansiedade dentro das escolas. Segundo ela a falta de empatia dos profissionais é evidente quando qualquer aluno sente-se mal e ao ir até a direção, recebe a clássica orientação: “Senta, toma uma água e daqui a pouco volta para a sala de aula”.

Espaço Terapêutico

Ao fim das falas dos debatedores da mesa, os adolescentes compartilharam suas histórias, seus anseios e como tem tentado lidar com a pressão das escolas e dos institutos federais. Crises de ansiedade foram uma das razões mais apontadas pelos estudantes como consequência de viver num sistema que não contribui para um desenvolvimento emocional adequado. Jovens LGBT’s relataram ainda mais problemas desencadeados pelas rejeição que sofrem, assim como negros e negras por conta do racismo.

A psicóloga Vivian Alves após escutar todos os mais de 20 depoimentos fez sua consideração final falando como a mesa funcionou como um espaço terapêutico e como o diálogo é uma das práticas mais importantes no quesito da prevenção.