“Precisamos ampliar a rede federal, como está previsto no PNE”, diz especialista

Em entrevista à UBES, integrante do CONIF fala sobre os efeitos do corte de verbas e a importância da educação técnica no Brasil

“Uma das políticas educacionais mais acertadas nos últimos anos foi a ampliação e interiorização da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica”, diz Ricardo Cardoso, pró-reitor de ensino da IFNMG e integrante do Fórum de Dirigentes de Ensino do CONIF (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica).

O educador conversou com a UBES sobre a importância da ampliação de investimento da Rede Federal e como o corte de verbas afeta todo o sistema de ensino. Veja a entrevista abaixo:

Contingenciamento de verbas, como aconteceu neste ano com bloqueio de R$ 1 bilhão para os IFs, causa efeitos imediatos como falta de verbas para custeio de manutenção básica. Você avalia que há efeitos a longo prazo, caso esse cenário se repita?

A rede federal desenvolve ações de pesquisa, extensão, realização de visitas técnicas, participação em eventos… Quando você contingencia recursos, mesmo com posterior retorno de parte das verbas, as ações que foram perdidas ao longo do ano não se recuperam. Não podemos pensar no IF como uma intuição que apenas oferta aulas. A rede federal prima por uma qualidade educacional socialmente referenciada. É fundamental o comprometimento de 100% do orçamento para que possamos cumprir, de fato, nossa função.

O investimento no ensino técnico integrado ao ensino médio seria uma das soluções para a melhor do modelo educacional brasileiro?

Enquanto em países desenvolvidos há um maior número de matrículas em educação profissional de nível médio, o número do Brasil ainda é pequeno. Precisamos aumentar, como está previsto na meta 11 do Plano Nacional de Educação. O Ensino Técnico Integrado é pauta na pesquisa e extensão, garantindo maior qualidade para os estudantes que chegam às universidades. E um dos pontos mais importantes é a concepção de formação integral do ser humano pautado na cultura, no esporte, na tecnologia e nas artes.

Na sua visão, por que o ensino técnico, desenvolvido em IFs e CEFETs, pode ser considerado um modelo de excelência no Brasil?

Os resultados já dizem, nós temos indicadores para comprovar essa excelência. Uma das políticas educacionais mais acertadas nos últimos anos foi a ampliação e interiorização da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. Deve ser pensando para todo o Brasil e quiçá, para o mundo.

Entrevista originalmente publicada no PLUG |Revolta, leia a edição na íntegra: