Precarização do mercado de trabalho: Para onde irão os jovens estudantes?

O alto número de desempregados e a falta de propostas do atual governo deixam em alerta os secundaristas no 14º ENET

A preocupação com o futuro lotou a sala que tratava do tema de “Ciência e Tecnologia: Desenvolver o Brasil para acabar com o desemprego” na manhã de sábado no 14º ENET. A juventude esteve atenta às falas dos debatedores e suas considerações sobre as possibilidades que estão postas para o país.

A riqueza cultural e de biodiversidade brasileira foram destacadas como enormes vantagens no território do país pela pesquisadora Mariana Moura, contudo ela enfatizou que sem a tecnologia necessária para transformar matéria prima em bens, não há crescimento econômico e social.

A cientista destacou os 50 anos de pesquisa da Petrobrás para então descobrir uma das maiores regiões petrolíferas do mundo – o pré-sal, mas alertou:

“Não adianta descobrir a maior região petrolífera se não há a refinaria. Investir em ciência e tecnologia é não só investir em pesquisas que vão reverberar na área de saúde, educação, gestão pública.  Investir em ciência e tecnologia é produzir empregos com salários mais altos para valorizar as relações de trabalho”.

Penildon Silva nomeia este processo relatado pela professora Mariana como “Reprimarização da economia”. O pró-reitor da UFBA explica que o Brasil pós-golpe de 2016 passa por um retrocesso e volta a ser cada vez mais exportador de comodities, numa recessão econômica que se baseia na uberização da relação de trabalho.

As empresas estão desenvolvendo carros que não necessitarão de motoristas, por exemplo, e segundo o pesquisador Silva estas novas condições farão com que a juventude atual tenha muita mais dificuldade em encontrar empregos do que as gerações anteriores.

Existe saída?

Apesar de suas constatações, Penildon se diz otimista. O doutor em Educação recordou das manifestações realizadas pelos estudantes no #15M, #30, #14J e demais greves gerais e qualificou a importância dessas mobilizações como essenciais para travar um embate possível com o governo e ressaltou: “Não basta desenvolver a tecnologia, é necessário opção política de inclusão social”.

Contemplaram a fala Jorge da Silva, diretor de movimentos sociais da UNE, e Adilson Araujo – presidente da CTB. Ambos destacaram a falta de interesse do governo de responder os problemas estruturantes do país.

Araújo também aponta um caminho para 2020: eleger vereadores e vereadoras que estejam alinhados aos motes progressistas e com visão libertadora do sistema capitalista.

Recuo do Governo

O Ministério da Educação anunciou na sexta-feira (18) a liberação de R$1,1 bilhão de reais para as Universidades Federais e os Institutos Federais. A notícia foi recebida com entusiasmo pelos estudantes e considerada um resultado concreto das mobilizações nas ruas nos últimos meses. Os debatedores da mesa endossaram o coro e reforçaram a importância da juventude continuar na luta.