Para manas e monas de todas as cores, ensino técnico representa inclusão

Inclusão de minorias nos espaços educacionais foi debatida com plateia repleta de diversidade durante o Revolta

Meninas e meninos negros, trans, bissexuais, homossexuais, queers, não-binários. Estudantes orgulhosos de si em defesa de uma educação que forme profissionais e cidadãos. Esse foi o público da mesa “Combatendo o racismo, machismo e LGBTfobia: o papel das escolas técnicas no desenvolvimento social do Brasil” que aconteceu durante o 17° Encontro Nacional de Escolas Técnicas na Faculdade Zumbi dos Palmares em São Paulo (SP), no último sábado (19). 

“O papel do ensino técnico é essencial para incluir os LGBTs nos espaços educacionais”, afirmou Daniella Veyga, ex-diretora LGBT da UNE e convidada da mesa. “Precisamos assegurar que as minorias possam entrar nos Institutos Federais e saírem formados. As escolas técnicas precisam estar na defesa da luta das minorias”, completou a ex-diretora.

Daniella exalta a importância da organização estudantil para a juventude e o país. Ela começou sua atuação política no movimento secundarista. Como mulher travesti, para ela é uma grande vitória ser graduanda em Direito e completa: “Eles vão ter que me chamar de doutora”. 

“O papel do ensino técnico é essencial para incluir os LGBTs nos espaços educacionais”, afirmou Daniella Veyga, ex-diretora LGBT da UNE. (Foto: Elen Silva | Circus da UBES)

Outro ponto levantado por Daniella durante a mesa foi o projeto de militarização das escolas proposto pelo MEC. Após a democratização do ensino, com a política de cotas raciais e sociais, ela aponta o medo sobre como será a diversidade nos espaços educacionais. “Nos últimos anos, nós colorimos escolas e universidades com a cara do Brasil, mas me preocupo como será nossa população dentro desses locais com esse projeto. Será resguardado nosso direito de ser quem nós somos?”, quetionou Daniella.

Além da discussão sobre a militarização e a necessidade de políticas públicas que assegurem a permanência estudantil de negros, mulheres e LGBTs, Maiara Gomes, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, apontou como as escolas técnicas podem ser uma saída para adequação da juventude no mercado de trabalho. 

“Organizar a revolta da juventude é o passo fundamental para construir um novo projeto de sociedade”, completou Maiara. Natália Trindade, diretora da União Brasileira de Mulheres-UBM também participou da mesa.

Foto: Raiza Rodrigues | Circus da UBES

Rafael do Reis, estudante do IFMA e mediador da mesa, fez uma fala exaltando a presença dos LGBT+ discutindo um tema como esse e ainda concluiu que, como pessoa não-binária, se orgulha pela oportunidade de estar reunido com uma plateia repleta de diversidade.

Embalados pelo entusiasmo da discussão, os estudantes ecoaram na sala um grito de guerra conhecido do movimento estudantil que valoriza e empodera os grupos LGBT+ da juventude: “As gay, as bi, as trans e as sapatão, tão tudo organizada pra fazer revolução”.