Para estudantes, patriotismo é defender educação e meio ambiente

No #Dia7EuVouDePreto, estudantes contestam ações de Bolsonaro e exigem independência por meio de escola, universidade e ciência

Em oposição ao presidente Jair Bolsonaro, que pediu que as pessoas usassem verde e amarelo no feriado da Independência, estudantes ocuparam as ruas de preto neste sábado, com atos em mais de cem cidades. 

As manifestações foram unificadas com o Grito dos Excluídos, protesto tradicional em 7 de Setembro, e denunciaram o obscurantismo do governo nas áreas sociais, ambientais e de direitos humanos.

O que mais se viu nos cartazes e gritos foi a defesa da educação pública, de escolas à pesquisa, e da preservação da Amazônia. 

Foto: Dudu Paco, no Ceará

Independência

“A gente defende a verdadeira independência do Brasil. Não é independente um Brasil que destrói a educação pública, o seu meio ambiente, a previdência social. Um país só é independente quando seu povo cabe nele”, afirmou o presidente da UBES, Pedro Gorki, em São Paulo.

Pedro Gorki em São Paulo (Foto: Luis Rocco)
Secunda distribui mudas em Juiz de Fora, RJ. (Foto: Matheus Teixeira/MST)

Luto e luta

O movimento estudantil tem sido o maior catalisador de insatisfação com o governo Bolsonaro desde o começo do ano. Os atos do dia 7 de Setembro são continuação da luta no primeiro semestre, em consequência a um corte de R$ 6 bilhões na Educação. Após notícias de queimadas e desmatamento recordes na Amazônia, estudantes destacavam a soberania nacional como principal tema dos protestos. 

Um impulso ainda maior para os atos de deu após uma fala do presidente Bolsonaro na terça (3/7), pedindo para que a população vestisse verde e amarelo. O apelo para o patriotismo repete o presidente Fernando Collor em 1992. Na época, estudantes também saíram de preto e deram início ao movimento dos caras-pintadas, que acabou no impeachment de Collor naquele ano.

No ato em Salvador, a vice-presidenta da UBES, Débora Nepomuceno, explicou: “O presidente convocou os patriotas para que usassem verde e amarelo em homenagem à Amazônia. Já os movimentos estudantis convocaram os estudantes e toda a sociedade para vir para a rua de preto, em luto pelo que está acontecendo na Amazônia e contra os atentados à educação. O que nos motiva é a defesa do nosso País, patriotismo de verdade, não essa imagem que ele está tentando vender”.

7 de setembro em Salvador

Próximos passos

Em ano de intensa resistência do movimento estudantil, a UBES convocou três encontros nacionais, entre 17 e 20 de outubro: o 17º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG), o 5º Encontro Nacional de Mulheres Estudantes (EME) e o 14º Encontro Nacional de Escolas Técnicas (ENET).

Nestes eventos serão discutidos todos os contextos de 2019 e definidos em conjunto os rumos do movimento estudantil. Acompanhe as redes da UBES para mais notícias em breve!