Mulheres organizam mesa de desconstrução para meninos no 5º EME

Secundaristas discutem machismo e feminismo para uma plateia majoritariamente masculina durante encontro em SP

“Quantas vezes vocês ouviram a frase ‘menino não chora’? Isso é violência de gênero”, disse Carla Tatiane, subsecretária de Políticas para Mulheres do Rio Grande do Norte e convidada da mesa “Espaço de Desconstrução” que aconteceu na Faculdade Zumbi dos Palmares durante o 5º Encontro de Mulheres Estudantes – EME na sexta-feira (18).

O auditório reuniu uma plateia composta por uma maioria de meninos que ouviram atentamente as discussões sobre gênero, machismo e feminismo. Além de Carla, Izabela Marina, primeira diretora de Mulheres da UNE, também participou da mesa que ofereceu uma proposta diferente aos estudantes.

A dinâmica fez duas perguntas aos secundaristas da plateia. Uma era para eles dizerem a primeira coisa que vinha a cabeça ao ouvir a palavra “machismo”. Foram ditas feminicídio, domínio, abuso, privilégios, desigualdade, agressão e opressão.

Ao ouvir “feminismo”, a plateia lembrou de força, resistência, liberdade, emancipação, empoderamento, união e independência. Izabela ficou feliz ao ver os meninos associarem as palavras da forma correta e disse: “O feminismo precisa da união de todos”.


“O feminismo precisa da união de todos”, disse Izabela Marina, primeira diretora de Mulheres da UNE. (Foto: Maiakovski Pinheiro | Circus da UBES)

Izabela também apontou que é preciso ir na raiz do problema e pensar em ferramentas para desconstruir os meninos. Desde situações como violência doméstica até piadas com pelos pubianos. “Tudo passa pela falta de liberdade do corpo da mulher, mas todas temos o direito de ser quem somos”, completou a jovem.

Carla Tatiane apontou que nenhum homem nasce opressor, mas culturalmente ele cresce para ser. “A cultura da nossa sociedade impõe às mulheres, desde sua concepção, papéis em desvantagem”, disse a subsecretária.


“Quantas vezes vocês ouviram a frase ‘menino não chora’? Isso é violência de gênero”, disse Carla Tatiane, subsecretária de Políticas para Mulheres do RN. (Foto: Maiakovski Pinheiro | Circus da UBES)

Como mãe do estudante Pedro Gorki, atual presidente da UBES, ela exemplificou como é importante incluir os homens no debate para que eles possam compreender que nenhuma manifestação machista deixa de causar danos. Inclusive para os próprios homens, em especial, os LGBTs por conta dos papéis culturais estabelecidos para o homem e para a mulher. 

Ao final da mesa, os estudantes puderam fazer falas e perguntas para as convidadas. Denilson Santos, estudante do IFBA, contou que durante uma atividade no Instituto Federal, ele teve conhecimento de um caso de assédio com uma colega.

“A diretora perguntou qual seria a solução para isso e a resposta dos estudantes foi que precisamos pensar juntos”, disse Denilson que também afirmou que é preciso abrir ampliar essa discussão com todas as pessoas. “Sem debate, não há desconstrução”, completou o estudante.