Meu corpo, minhas regras: o grito de libertação das estudantes secundaristas

O desabafo de alunas sobre o assédio sexual nas escolas emociona em mesa no 5º EME

O tema das políticas públicas para mulheres secundaristas trouxe diversas estudantes na tarde desta sexta-feira (18) no 5º Encontro de Mulheres Estudantes da UBES. A discussão tratou sobre o atual cenário das políticas no Brasil e as possíveis saídas para enfrentar os retrocessos que estão acontecendo.

A diretora de mulheres da ANPG, Stela Gontijo, relembrou a guinada conservadora que vêm se estabelecendo na América Latina nos últimos anos e o impacto disso na vida de cada mulher. A pesquisadora retrata a despolitização do Estado, especialmente na figura da ministra Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que assume uma agenda religiosa no governo.

Gontijo afirma que pensar em políticas públicas para mulheres é olhar amplamente para verificar o que transversalmente afeta esse público. Ela destaca o projeto para liberação do porte de arma e como isso afeta diretamente as mulheres. “É uma licença para matar, e para matar principalmente, a gente” enfatiza a diretora.

Assim como os projetos políticos que afetam negativamente, também foram lembradas na mesa, políticas públicas que beneficiaram diretamente as mulheres. Nadia Beatriz, da direção nacional da juventude do Partido dos Trabalhadores, destacou o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida como programas que proporcionaram independência financeira e consequentemente maior autonomia na tomada de decisões para as mulheres beneficiadas .

Meu corpo é político

O assédio nas escolas foi o tema mais recorrente nas intervenções feitas pelas estudantes. Elas declararam situações de abuso praticadas por professores, diretores e colegas.

A presidenta da União Brasileira das Mulheres, Vanja Santos, reforçou a necessidade de barrar projetos como o Escola Sem Partido, que retiram a educação sexual do ambiente escolar e assim determinam o enfraquecimento do combate ao assédio.

Experiência de Mauá

Amanda Bispo, representante do Movimento de Mulheres Olga Benário, contou para as estudantes sobre a experiência de seu coletivo na cidade de Mauá, em São Paulo.

Bispo relatou sobre as limitações das políticas públicas para mulheres na cidade, falou sobre os índices de violência que estavam cada vez mais altos, havendo pouca estrutura e também pouco interesse do poder público em investir em projetos que visassem a proteção da mulher.

Diante dessas adversidades e cansadas de esperar, ela e suas companheiras do Movimento ocuparam um casarão que estava abandonado e construíram um Centro de Referência para Mulheres em situação de violência.

Amanda ressalta que iniciativas como essa são passíveis de replicação em demais locais e que são um exemplo de como é possível construir um poder popular e não depender exclusivamente do Estado. E ainda, como estes projetos possibilitam a criação de grupos de conscientização que ampliam os diálogos e o alcance de cada vez mais mulheres.

Redação: Janaína Maurer, de São Paulo

Fotos: Patrícia Santos