Começou! ENNUBES mobiliza juventude negra de todo o país

O Encontro Nacional de Negros e Negras dá início às atividades do movimento estudantil em Salvador

“Acabou o lamento, é a juventude negra resistindo em movimento!”, gritavam em coro estudantes de todos os cantos do Brasil. O Encontro de Negros e Negras da UBES abriu os trabalhos do 4º Encontro Nacional de Grêmios + 11ª Bienal da UNE – Festival dos Estudantes, na Universidade Federal da Bahia, nesta quarta, 06 de fevereiro.

Emma, estudante de 18 anos.

A estudante veio de Sergipe para o Encontro e acredita que é de extrema importância que a juventude tenha esse espaço de formação diante de uma educação pública precária.

José Neto, 20 anos, de Salvador e Elis Regina, 22 anos, de Mato Grosso do Sul.

Os dois são estudantes de universidades federais e veem no ENNUBES a oportunidade de construir uma síntese política do movimento negro e organizar a resistência em momentos tão difíceis.

Herick tem 17 anos e veio de São Luís (MA).

Para o jovem, o ENNUBES quebra paradigmas “em uma sociedade que é preconceituosa, racista e homofóbica”, além de incentivar que jovens negros ocupem espaços na sociedade.

Marcado por ser o primeiro ENNUBES em que a UBES tem uma mesa diretora 100% negra, o momento foi de muita representatividade e de resistência para a juventude que mais sofre com a desigualdade.

“É muito importante saber porque a primeira atividade é reunir os estudantes negros, porque nós sabemos quem é que morre nesse país”, destacou o presidente da UBES, Pedro Gorki.

“É a primeira vez que temos um dia com programação completa dedicada ao ENNUBES, o que é um grande desafio. Representa uma vitória para nós! Esse é o caminho, a gente reunir o nosso povo preto”, disse Bruna Santos, Diretora de Movimentos Sociais da UBES, que foi a mediadora da mesa de abertura do evento.

“É a primeira vez que temos um dia com programação completa dedicada ao ENNUBES, o que é um grande desafio. Representa uma vitória para nós”, Bruna Santos.

Além desta mesa, rolou cinco Grupos de Trabalhos em que todos os presentes se dividiram para debater temas essenciais para o combate à desigualdade racial, abordando assuntos como o protagonismo das mulheres negras, segurança pública e guerra às drogas, direitos LGBTs na perspectiva anti-racista, a Lei 10.639/03 e cultura negra. No fim do dia, as ideias desenvolvidas nos grupos foram apresentadas em uma carta durante a plenária final.

As atividades foram compostas por representantes estudantis e de coletivos que desenvolvem atividades de combate ao racismo. Coordenador Geral do DCE da UFBA, José Neto abordou a união de forças frente à atual conjuntura política: “Só de estarmos aqui em um local onde olhamos pra frente e vemos gente como nós mesmos é muito importante. Nós somos os mais atacados, mas o tempo pede que nós sejamos a ponta de lança no ataque!”.

Dara Santanna, diretora de Combate ao Racismo da UNE, falou da evasão de jovens negros em escolas e universidades e da importância de levar para casa aprendizados para quem não pôde comparecer: “Temos aqui a oportunidade de fazer algo maior no movimento estudantil em um momento em que está mais difícil de se fazer algo. Se a sua militância não muda a vida de ninguém o que você está construindo?”

“Estudar é um ato político, é de extrema importância para o povo negro se entender na sociedade”, Eldon Luís, secretário da juventude da UNEGRO.
“Sabemos que em nosso país estamos resistindo a todo tempo. Com um governo como o atual, deixo um questionamento: quem será atingido?”, Ruan Carlos – presidente da ABES (Associação Baiana Estudantil Secundarista).
“O movimento negro precisa ocupar cada vez mais as nossas escolas para levar o altruísmo, aproximar nossas raízes e valorizar a beleza negra que é anulada pelos padrões da sociedade”, Jully Cunha – presidenta da UEES Bahia (União Estadual dos Estudantes).

Também convidada da mesa, Eslane Paixão do Coletivo Olga Benário, ressaltou que a juventude negra continuará morrendo enquanto o Estado realizar simples reformas e métodos paliativos referente à desigualdade racial. A militante acredita que há a necessidade de formar uma unidade que busque de fato igualdade de todos e todas e que consiga superar desigualdades sociais e raciais no Brasil.

“Eu sei que aqui temos muitas Dandaras, muitos Zumbis dos Palmares e é por isso que o povo preto que sempre lutou continuará lutando” Eslane Paixão.

Após a apresentação dos integrantes da mesa, houve espaço para que os estudantes participassem ativamente deste momento tão significativo.

Geovana disse que é preciso racializar todos os debates no movimento estudantil, pois a maioria dos jovens que não conseguem acessar uma universidade têm classe social, mas também tem cor. Mateus emocionou a todos no plenário: “Não quero mais chorar, eu quero lutar e sonhar. Eu não sou empoderado, não gosto dessa palavra, eu quero emancipação para o meu povo”.

Lúcia Bahia, presidenta da USES.

Lúcia Bahia, presidenta da USES (União Soteropolitana dos Estudantes Secundaristas), ressaltou a importância de valorizar o que o povo preto produz, principalmente os jovens das periferias.

“Povo negro unido
Povo negro forte
Que não teme a luta

Que não teme a morte

Para o Diretor de Combate ao Racismo da UBES, Lyncon Marques “a principal pauta da pasta é garantir que a Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da cultura e história afrobrasileira e africana, seja cumprida nas escolas”.

Pedro Gorki, presidente da UBES, agradeceu aos estudantes presentes e aos que estão a caminho da UFBA e enfatizou que a luta também épra dizer que a juventude não aceita a sociedade que prevê o extermínio dos jovens negros: “A juventude negra brasileira não luta apenas por seus direitos, mas pelo direito à vida.  A gente sabe que quem morre no nosso país tem cor, tem idade e tem CEP, é a juventude negra periférica e de escola pública”.

“Hoje, Salvador volta para ser não a capital brasileira, mas a capital da resistência, da luta da juventude secundarista e negra”.