Circuito de Cultura Secundarista incentiva protagonismo estudantil

Carta lançada durante seminário do CIRCUS da UBES propõe arte e cultura como instrumentos para Educação

Durante o 4º Encontro Nacional de Grêmios, em Salvador, aconteceu o Seminário do Circuito de Cultura Secundarista da UBES (CIRCUS). Os estudantes se reuniram para desenvolver ações de incentivo da arte e cultura no ambiente escolar, além de estruturar o protagonismo estudantil em produções culturais.

“Falta muito para que a escola seja um espaço de real incentivo para cultura, mas tem muita gente boa por aí fazendo coisas incríveis. Acredito que o CIRCUS vem para cumprir esse papel, de criar uma rede entre os secundas do país”, disse Igor de Lucca, Diretor de Cultura da UBES. E com este propósito, os secundaristas apresentaram a “Carta do CIRCUS”.

Foto: Duda José | CUCA da UNE

Leia na íntegra:

O Circuito de Cultura Secundarista da UBES está ativo desde o 42º ConUBES, tendo organizado atividades e dialogado com estudantes em diversos estados pelo país. Acreditamos que é chegado o momento de dar maior consequência a produção cultural em nossas escolas, gerando cada vez mais Circuitos e eventualmente uma agenda nacional do CIRCUS, com momentos em cada estado e região, conhecendo e prestigiando a pluralidade do país. É certo que artistas, especialmente aqueles que não estão blindados pelos recursos da Indústria Cultural serão pouco visados e desvalorizados por um Governo Federal que extingue o Ministério da Cultura e fecha as portas para nossas agências e fundações culturais, e que é parte de uma grande onda de obscurantismo e censura, onde os primeiros afetados são artistas e estudantes.

O CIRCUS da UBES pretende debater e contribuir com a formação e o trabalho de estudantes e artistas, organizando ações e espaços de trabalho e apresentação que unifiquem a comunidade e a escola, trazendo movimentação para novos lugares e gerando um ambiente escolar mais saudável e interessante para os(as) estudantes. Tendo isso em mente, apresentamos aqui nossa visão e nossas propostas para as atividades do CIRCUS, separadas em três eixos:

Eixo Pedagógico

O quanto a arte está presente na Pedagogia? Quanto se aprende, de fato, sobre Arte, e mais importante, sobre a nossa arte? Vivemos em um ambiente escolar que pouco se aproveita da grande ferramenta que ensinar sobre arte e incentivar a criatividade do estudante pode ser para o ambiente escolar, que está em vias de perder ainda mais espaço. A escola que sonhamos precisa criar um ambiente que agregue cada vez mais estudantes. Defendemos a inclusão de arte em ainda mais espaços na escola. Defendemos também a aliança entre artistas, estudantes e professores, para combater a evasão escolar, crescer o movimento estudantil, e proporcionar um espaço melhor para o trabalho de educadores e educadoras.

O quanto se pode aprender sobre determinada escola literária em Português organizando um sarau? O quanto podemos descobrir sobre algoritmo quando vemos um filme que fale sobre em um Cine Debate na aula de matemática? Quanto do conteúdo de Arte pode ser aplicado gravando vídeos para redes sociais? As possibilidades são infinitas. Queremos levar ideias como essa para nossas escolas. A Exemplo do Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, onde o Grêmio Estudantil organizou um Cine Debate, ou dos Colégios Estaduais Pimentas VII e Homero Lins de Sá, ambos na cidade de Guarulhos, São Paulo. A Pedagogia tem muito a que se beneficiar do ensino e produção de arte e cultura dentro da escola.

Eixo Comunitário

Ao redor de toda escola há lojas, casas, e pessoas, porém a escola sempre foi um espaço fechado, onde somente estudantes e trabalhadores da educação tinham acesso. Acreditamos no potencial da cultura para quebrar essa barreira, e dar oportunidade do povo de conhecer o espaço escolar. Propomos a criação de oficinas e mostras de arte, em diversas modalidades e linguagens que permitam a participação do entorno e da comunidade escolar, e que incentivem o diálogo entre estudantes organizados, trabalhadores(as) da educação e associações de moradores e bairros.

É hora do conjunto da sociedade se organizar e resistir, seja fazendo um debate, uma manifestação ou uma peça de teatro. Podemos chamar mostras em que os estudantes apresentem seus trabalhos e oficinas conjuntas convidando a comunidade escolar a participar da produção. Há muito o que ser feito e muito a se descobrir.

Eixo Cultural e Artístico

O Circuito de Cultura já parou em alguns estados por nosso país. Estudantes de São Paulo e Minas Gerais organizam oficinas em escolas convidando os estudantes a repensarem o espaço que ocupam todo dia. Estudantes do Ceará e Paraná organizam companhias de teatro, assim como batalhas de RAP estão acontecendo em todos os cantos do país, de Santa Catarina ao Rio Grande do Norte. Todos esses e essas estudantes se reúnem em Salvador, na Bienal dos Estudantes, e acreditamos que não há espaço melhor para lançarmos um novo desafio para nossa entidade.

Para garantir que cada vez mais estudantes tenham acesso e construam o CIRCUS, propomos que cada entidade estadual busque condições de construir o CIRCUS no seu estado através de Festivais de Cultura e Arte. O CIRCUS da UBES só será grande com Circuitos em todos os estados, chamando atividades culturais e entrando em contato com estudantes por todo o país. Contribuindo com cada uma dessas atividades, o CIRCUS da UBES pode assumir seu real caráter de Circuito, criando uma rede de divulgação e organização de artistas de diferentes estados, cidades, estilos e linguagens. Do teatro a pichação, do desenho animado a poesia.

A UBES pode ser o grande canal de contato entre toda nossa rede, colocando cada vez mais estudantes na defesa da escola que sonhamos. Acreditamos também na urgência do movimento estudantil ocupar as redes, e por isso propomos que sejam organizados coletivos de comunicação em cada estado, trabalhando em conjunto com a organização dos festivais de cultura e arte. A força de defender nossa própria narrativa poderá contribuir tanto na divulgação de nossas ações e nossos eventos, como em qualquer momento de embate de narrativas, já comum em nossa sociedade da informação.

Também devemos cumprir o importante papel de combate à desinformação nas redes sociais, trazendo mentes, corações e projetos à defesa de uma educação pública, gratuita, de qualidade e com inserção artística, para todos e todas.

Foto: Duda José | CUCA da UNE

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