Por Rozana Barroso, diretora de Escolas Técnicas da UBES

Sabemos de cor e salteado todos os frutos da árdua luta que travamos nas últimas décadas pela democratização do acesso à educação, pelo combate à fome e pelo direito à moradia. Apesar das vitórias, o rombo da irresponsabilidade ao longo da história se junta com o rombo causado desde o golpe que nos retirou a primeira mulher eleita para presidir o Brasil, até o governo atual. A ineficiência de um estado governado com medidas anti-povo resulta em desemprego, fome e trabalho infantil.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, o Brasil tem 2,4 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil. Os adolescentes pretos e pardos correspondem a 66,2% do total dessa estimativa e as famílias de baixa renda com crianças e adolescentes nessa situação recebem por mês menos do que meio salário mínimo. Não estamos falando de um estágio aos 16 anos, ou de ajudar a família na colheita da fazenda, como testemunhou o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Falamos aqui de pequenos que são privados da sua infância, da dignidade e do direito de estudar, sendo expostos aos possíveis casos de adoecimento, mutilação e a prostituição.

“Não estamos falando de um estágio aos 16 anos, ou de ajudar a família na colheita da fazenda, como testemunhou o então presidente Jair Bolsonaro.”

Numa sacada sutil, Bolsonaro provoca então o debate no meio de seus fiéis e restantes eleitores que rapidamente passaram a reproduzir o que escutaram, mas como sempre, com debates rasos e sem soluções. Um governo que ataca a educação, persegue professores e é cruel a ponto de querer acabar com a aposentadoria social e normalizar o trabalho infantil, demonstra a falta de compromisso para com o desenvolvimento de nosso país.

Os direitos à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade e ao respeito, garantidos pelo ECA e pela Constituição, são brutalmente atingidos. Parece ser de maior importância e orgulho determinar livre acesso dos americanos ao Brasil do que combater os problemas sociais que atingem as crianças e famílias brasileiras.

A solução não é acreditar fielmente na meritocracia, muito menos romantizar e chamar de guerreiras crianças obrigadas a sair da escola pela exclusão social. A valorização da educação e o combate à desigualdade são pontos principais para garantir o direito de todos brasileiros e assim caminharmos rumo ao desenvolvimento e à soberania.

Creio que temos feito com maestria uma grande e forte oposição aos desmontes do atual governo, mesmo que nos doa e desanime ver vitórias importantes retrocedendo. Essa declaração do presidente deve soar para nós como uma provocação. Uma provocação para mais uma vez ocuparmos as ruas, lutando pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Contra os retrocessos na educação e na previdência, por mais emprego e contra o trabalho infantil. Dia 12 de julho em Brasília, temos um encontro marcado.