A internet na luta por democracia

Mesa de debate de conjuntura aconteceu na manhã do segundo dia (08/2) do encontro dos estudantes em Salvador

A internet como importante espaço de disputa política. Essa foi a tônica do debate Internet, Liberdade de Imprensa e Redes no Brasil, que aconteceu no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA, na manhã desta quinta-feira (07/02), durante o segundo dia da 11ª Bienal da UNE.

Participaram da conversa a coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Miele; a representante do Jornal Brasil de Fato, Janaína Lima; o integrante do Mídia Ninja, Felipe Altenfelder; o ator e youtuber, Thiago Almasy e; a gestora pública e militante da Marcha Mundial de Mulheres, Amanda Nogueira. A mesa foi mediada pelo presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Pedro Gorki.

“A comunicação, apesar de um direito humano, ainda é controlada por grandes oligopólios”, disse Janaína Lima, primeira transexual a se formar em jornalismo pela UFRN. Para ela, é central atuar entendo a internet como espaço de intervenção mediada por empresas com interesses capitalistas. “Temos que criar estratégias utilizando o espaço virtual como espaço de disputa de narrativa. A internet é um espaço fértil e também um lugar importante para pensar um outro projeto de sociedade”, alerta Janaína.

Renata Miele, do FNDC, acredita que é preciso compreender as plataformas que dominam o ambiente virtual. “É preciso conhecer as formas usadas pela direita no uso da Internet, mas não vamos combater memes com fake news apenas com outros memes”, acredita Miele que também faz parte do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Já Amanda Nogueira, da Marcha Mundial de Mulheres acredita que a esquerda precisa repensar a linguagem que utiliza na Internet se quiser mobilizar os diversos públicos. “A gente tem mudado a nossa linguagem, construído outro conjunto de léxicos, o movimento LGBT por exemplo fez isso muito bem. Mas temos que usar mais a linguagem que se massifica na internet”, afirma Amanda, que também acha que isso deve estar presente nos debates sobre o marco civil da Internet.

Experiências

A resposta de mobilização do público que deram grande audiência as esquetes Frases de Mainha na internet, fez com que o ator Thiago Almasy compreendesse o alcance político do seu trabalho na blogosfera. “De repente estavam nos cobrando um posicionamento político e a gente entendeu que os próprios vídeos já eram políticos e que chegavam de forma simples nas pessoas”, disse Thiago. “A gente tinha uma média de 20 milhões de visualizações por cada vídeo e nem precisamos falar de coisas que já estavam intrínsecas como a participação de atores negros em espetáculos ou mesmo o fortalecimento da identidade nordestina e negra presente nas nossas produções”, acredita o ator que hoje mantém um canal chamado Na rédea curta com mais de 130 mil inscritos.

Um outro case de sucesso importante é o Mídia Ninja que virou símbolo de ativismo civil na internet disputando narrativas na web. “Nós nascemos bebendo na fonte da arte e cultura e por isso já entendemos que a arte chega nas pessoas com mais impacto”, relata Felipe Altenfelder. “Queremos fortalecer heróis locais, ativistas. Se não temos renda pra distribuir, queremos distribuir ‘likes’”, afirma Felipe. Para o representante do Midia Ninja, esse espaço é fundamental de debate já que os estudantes que vieram para a Bienal são potenciais irradiadores das reflexões feitas no encontro. “Agora somos todos comunicadores e isso é uma força que a gente tem que usar na nossa luta”, finaliza.