2019, o ano da resistência estudantil

Em 12 meses de ataques e atitudes anti-democráticas, estudantes foram a linha de frente na defesa do ensino público e soberania do Brasil

No primeiro ano de governo Bolsonaro, o Brasil chamou atenção por fatores negativos, como falas absurdas feitas por autoridades, cortes no ensino público e desdém para o meio ambiente. Por outro lado, o mundo todo viu também nossa resistência, principalmente nos grandes atos de maio. Eles não aconteceram por acaso e estão interligados com o movimento estudantil do ano todo. Antes de se preparar para o próximo período, vamos relembrar o que já construímos? É para terminar o ano orgulhos da nossa luta.

Janeiro

Pega o fôlego para a #RetrôUBES2019 porque esse ano foi comprido! Janeiro, o governo Bolsonaro começou com o fechamento da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão; em seguida já teve decreto para flexibilizar porte de armas. Isso com o Ricardo Vélez no Ministério da Educação, uma gestão tão ruim e paralisada que não passou dos 100 dias. Depois viria Weintraub, ainda pior nos ataques e ideologização do MEC. 

Fevereiro


(Matheus Alves/CUCA da UNE)

Fevereiro foi tempo da gente se organizar para o ano intenso. A UBES se uniu à UNE e ANPG para uma Bienal enorme e inédita, o Festival dos Estudantes. O 4º Encontro Nacional de Grêmios rolou integrado a isso. Mais de 10 mil estudantes do Brasil todo reunidos em Salvador de 6 a 10 de fevereiro, com debates, convidados importantes, atividades culturais… Pense! Estávamos realmente prontos para resistir pela educação pública. 

E logo vieram os absurdos. No dia 25, o então ministro da Educação, Velez, mandou carta com slogan eleitoral para ser lida e filmada nas escolas, junto com a execução do Hino Nacional. Respondemos imediatamente com a campanha #MinhaEscolaDeVerdade e protestos na Câmara dos Deputados.

Março

Lembra em março? O Bolsonaro determinou “comemorações devidas” ao Golpe de 1964. E o ministro da Educação na época, Vélez, sugeriu mudanças em livros de história sobre o tema. Isso no meio da comoção pelo atentado em uma escola em Suzano (SP). Saímos em Jornadas de Lutas “descomemorando” o Golpe, por uma cultura de paz, de pluralidade de ideias, formação digna, mais livros e menos armas. #RetrôUBES2019

Abril

Difícil escolher o maior absurdo de 2019, mas essa frase de abril é com certeza um dos maiores: “Universidades que estiverem fazendo balbúrdia terão sua verba reduzida”. O ministro recém-empossado Weintraub usava a desculpa para o corte em três instituições, depois ampliado para 30% de corte em TODA A REDE federal, incluindo os institutos federais. Foi a primeira ação do Weintraub no MEC! Nos 100 dias de governo o ministro Ricardo Vélez havia sido substituído, deixando apenas paralisia como legado.

Maio

Maio de 2019, que mês! Foi quando o movimento estudantil puxou a maior resistência do ano no Brasil. Depois de cortes arbitrários de verba e um ministro querendo desqualificar a rede federal de ensino, o movimento #TiraAMãoDoMeuIF foi histórico em todas as regiões, impulsionando um Tsunami da Educação gigante no #15M e #30M. Mais de 1,5 milhão de pessoas em todas as capitais e mais de 200 municípios. Enquanto isso, no Congresso Nacional, éramos agredidos ao tentar diálogo com o ministro Weintraub.

Junho

Em junho já não tinha ninguém que não estivesse revoltado com o descaso para a Educação. Ainda por cima o governo propunha uma reforma da previdência que diminui ainda mais as perspectivas de futuro da juventude. A foto é da greve geral de 14 de junho, estudantes e trabalhadores em todo o Brasil!

Julho 

“Future-se” foi a novidade de julho: um programa que, em vez de garantir verbas, estimula a rede federal a procurar capital privado. Continuava o desdém com o ensino público, continuava nossa reação. Nisso, as pesquisas de seis meses de governo mostravam a educação como maior problema do Brasil para jovens entre 16 e 24 anos (Datafolha).

Agosto

Quem é secunda sabe. No #13A, todas as capitais brasileiras, além de mais de 200 municípios, registraram atos denunciando o desmonte da educação pública, contra a reforma da previdência, pela democracia e soberania. Nos Institutos Federais, estudantes denunciavam que, com os cortes, já faltavam transportes, materiais e até água potável. Sem falar no Cefet, RJ, que teve um interventor nomeado para a direção.

Setembro

“Patriotismo”, a palavra mais mal usada em 2019. Que patriotismo é esse que permite queimadas e desmatamento recordes na Amazônia? Foi o que questionamos em setembro. No 7 de Setembro, demos o recado de que a independência real do Brasil tem que vir por meio da escola, universidade e ciência, com respeito ao povo, aos direitos humanos e ao meio ambiente. “Não vamos naturalizar o absurdo”, afirmaram as entidades estudantis, em nota.

Outubro

Outubro, mês de organizar nossa revolta. Éramos centenas de secundaristas entre 17 e 20 nos encontrando para o Revolta, grande evento que uniu o 14º Encontro de Escolas Técnicas da UBES, o 4º Encontro de Mulheres Estudantes e o 17º Conselho Nacional de Entidades Gerais. Em meio ao desprezo do governo pela educação e pela democracia, com elogios à ditadura e ao AI5, nosso grito foi por uma escola e uma sociedade democráticas, que nos desenvolva, amplie sonhos e ensine a pensar, não só obedecer.

Novembro

Em novembro, a efervescência da América Latina chegou ao máximo! Denunciamos um golpe de Estado na Bolívia e nos revoltamos com Bolsonaro e seus filhos políticos, que elogiavam a ditadura e o AI-5 com ameaças ao povo. Enquanto isso, o projeto de Educação abandonado… Fomos ao Congresso articular com urgência um novo Fundeb, imprescindível para existência da escola pública.

Dezembro

Bem que em dezembro o ano podia só acabar, mas não. Além do ministro Weintraub se esforçando para difamar o ensino público, tivemos a terrível notícia de um massacre em São Paulo, com nove jovens mortos em ação policial no meio de um baile. Um acontecimento tristíssimo que exige reflexão de governos e sociedade.

No dia 5, a atual gestão da UBES completou dois anos de luta na direção da entidade, e já se prepara para um grande CONUBES no ano que vem. Então boas férias, secundas, e voltem prontos para mais resistência!