17º CONEG: A Revolta pela educação vai continuar

No último domingo (20/10), secundaristas definiram rumos do movimento e convocaram próximo Congresso da UBES para 30 de abril a 3 de maio de 2020

Se o governo Bolsonaro escolheu a educação pública como inimiga, estudantes anunciaram que a resistência continua no próximo período. Os rumos do maior movimento de revolta no Brasil de 2019 foram definidos no domingo (20/10), em São Paulo, durante a plenária final do 17º Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG). Também foi aprovada a realização do 43º Congresso da UBES (CONUBES) de 30 de abril a 3 de maio de 2020.

A plenária do CONEG é um dos momentos deliberativos mais importantes do movimento secundarista, onde lideranças estudantis dos municípios e estados definem resoluções que guiarão a UBES. Neste espaço ainda é convocado e definido o Congresso da UBES. Na próxima edição, a primeira sob governo Bolsonaro, o CONUBES irá eleger a gestão 2020-2022 da entidade.

Veja o Censo Escolar de 2016 fornecido pelo Inep

Neste 17º CONEG, além de aprovar o regimento do 43º CONUBES, delegados de escolas de todo o país apresentaram e votaram em teses para três assuntos: Conjuntura, Educação e Movimento Estudantil. Confira as resoluções aprovadas:

Votação das resoluções do 17º CONEG

Chama da revolta acesa

Nas resoluções aprovadas, o movimento secundarista analisa seu papel protagonista para os grandes atos contra cortes e pela educação no primeiro semestre de 2019. E reitera a necessidade de se manter na linha de frente para “lutar de forma incansável contra os cortes na educação e qualquer forma de repressão à livre manifestação política e de pensamento”.

A resolução de Educação questiona a promessa de Bolsonaro sobre priorizar educação básica, seguida de bloqueio de verbas para a área e descompromisso com a criação de um FUNDEB permanente. Denuncia ainda uma campanha do governo contra as instituições públicas de ensino, com objetivo de “criminalizar os que se debruçam sobre o processo de ensino-aprendizagem”. 

Também a proposta de militarização de escolas públicas é totalmente contestada: “Na verdade, tal proposta visa, apenas, impor uma dinâmica de repressão ao livre pensamento no ambiente escolar”. 

Para os estudantes, não há projeto de desenvolvimento para o país “sem forte investimento na educação, ciência e tecnologia”. A defesa pela democracia na escola também é muito forte: “Não existirá, também, país livre em que o ambiente escolar não seja um laboratório vivo da nossa democracia e em que a comunidade escolar tome em suas mãos os processos decisórios”.

Enquanto a resolução de Conjuntura aponta para a falta de perspectivas da juventude no Brasil de 2019, a resolução de Movimento Estudantil vislumbra possibilidade de “um futuro de portas abertas, por uma educação libertadora e inclusiva, por um país de sonhos”. E termina: “É para que possamos avançar junto ao povo e sorrir para nosso progresso que mantemos acesa a chama que nos leva à revolta”.

Estudantes ouvem a leitura das teses apresentadas, no Mart Center, em são Paulo

América Latina

Nas moções aprovadas pelo 17º CONEG, estudantes saíram em defesa do DJ Renan da Penha, entendendo o papel dos estudantes em “defender a cultura negra do nosso país”, sob o ponto de vista de que “a cultura também constrói a juventude”.

Estudantes brasileiros também se solidarizaram com as lutas atuais das juventudes de outros países latino-americanos, como no Chile, Equador, Colômbia e Argentina, e reforçaram a necessidade de unificar o movimento estudantil do sub-continente.

Neste sentido, foi dado o indicativo para a organização do II Encontro Latino Americano e Caribenho de Estudantes Secundaristas da OCLAE junto ao 43° Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.