Veja como estes grêmios romperam com preconceitos nas suas escolas

Estudar a África, futebol para meninas e discussão sobre a cultura negra foram conquistas de estudantes em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro

O grêmio é a voz dos estudantes dentro da escola. Ele pode não só criar iniciativas para melhorar o ambiente escolar, como também reivindicar direitos, propor mudanças, sugerir atividades e mobilizar os jovens para ações.

Nos casos abaixo, a participação estudantil foi fundamental para deixar as instituições mais inclusivas, emancipadoras, atraentes, com a cara das novas gerações e de um novo mundo.

Ainda não tem grêmio no seu colégio? Aprenda aqui como montar um.

1. Vai ter menina na quadra, sim

 Avaré, SP
Campus Avaré do Instituto Federal

Com a luta do grêmio, estudantes conquistaram horário para o futsal feminino

Por que as meninas também não treinam futebol na escola, como os garotos? A resposta, no campus Avaré do Instituto Federal, era a falta de horário na quadra. Precisou de muita reivindicação do grêmio junto à direção para a abertura de um espaço, e, graças à dedicação das estudantes, o treino feminino agora é uma possibilidade.

“Teve uma resistência bem grande por parte da escola e vários outros obstáculos colocados para nós”, lembra Laís Oliveira, presidenta do grêmio em 2017.

Ela comemora que o time de meninas do IF tenha disputado o campeonato municipal pela primeira vez, ano passado. Mesmo com apenas um ano de treino, elas terminaram em segundo lugar.

2. Eles queriam estudar a África

 Camaçari, BA
Escola Polivalente de Camaçari

Feira de Amostras, atividade multidisciplinar da Escola Polivalente de Camaçari

Por sugestão do grêmio, os países africanos fizeram parte do projeto

 

Estudantes apresentam a culinária da África Negra para colegas e pais

 

Itália, Estados Unidos, Alemanha… Esses eram os países que os estudantes da Escola Polivalente de Camaçari (BA) costumavam pesquisar a pedido dos professores, para a Feira de Amostras.

E por que não Congo, Nigéria, Sudão? Os adolescentes queriam também conhecer e apresentar para as famílias os países da África, que tanto influenciaram o Brasil e, principalmente, seu estado, a Bahia.

Por meio do grêmio para intervir, ficou mais fácil dialogar com os professores, que acabaram acatando a adaptação no projeto multidisciplinar.

Isso foi em 2015 e, desde então, o trabalho é realizado neste formato. Ano passado o resultado foi este aí que está nas fotos.

“Fizemos isto porque a África é um continente sempre esquecido, mas rico em diversidade e cultura”, diz Vinicius Levi, presidente do grêmio até 2017.

 

3. Hip hop e literatura marginal na escola

 Duque de Caxias, RJ
CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) 201 Aarão Steinbruch

“Muita gente apenas frequentava a escola, mas o Africanidade envolveu todo mundo.”

 

O projeto é realizado no Ciep em parceria com o grêmio Dandara dos Palmares

 

Roda de conversa sobre mulheres no RAP e misoginia

Iniciativa do professor de história Danilo, o projeto Africanidades leva vários temas de interesse dos estudantes e sobre sua realidade para dentro dos muros da escola. Na baixada fluminense, as salas do Ciep 201 Aarão Steinbruch ficam lotadas para falar com especialistas de hip hop, literatura periférica, encarceramento negro, intolerância religiosa.

O grêmio Dandara de Palmares, como não poderia ser diferente, também é protagonista nas atividades, mobilizando os estudantes, preparando as salas, organizando algumas mesas e atividades do evento.

“Muita gente apenas frequentava a escola, mas o Africanidade envolveu todo mundo, inclusive despertou os estudantes para querer debater política, conhecer mais, se envolver, opinar”, conta Larissa Silva, da coordenação do grêmio.

A entidade só é ativa no Ciep após muita batalha de algumas estudantes em 2015, quando os jovens conseguiram a troca de uma direção contrária às atividades do grêmio.

Leia também:

Como o grêmio mudou a minha vida

Como o grêmio mudou a minha escola