Seminário de Educação da UBES: juventude quer voltar a sonhar

Abertura do evento em SP nesta sexta (20/7) contou com várias lideranças, referências a estudante baleado na Maré e promessas de um projeto de renovação para a escola pública

O estudante Marcos Vinicius, recentemente morto por um tiro da Polícia Militar a caminho da escola no Rio de Janeiro, foi referenciado na maioria das falas que abriram o Seminário Nacional de Educação da UBES “Construindo a Nossa Escola”. Reunidos no Instituto Federal de São Paulo, mais de 300 secundaristas de todo o Brasil planejam um país em que qualquer jovem tenha direito à vida e à educação gratuita e de qualidade. E eles têm pressa.

Segundo os participantes da mesa que abriu o seminário, o cenário para a educação pública passou a ficar mais sombrio após o golpe que tirou Dilma Rousseff da presidência sem crime de responsabilidade.

Flavinha Calé, presidenta da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), lembrou que uma das primeiras ações do governo golpista foi esvaziar a verba do ministério da Ciência e Tecnologia, que mantém, entre outras coisas, os Institutos Federais como o que sedia o evento: “Para este governo, é fundamental o combate ao pensamento crítico. Por isso atacam a ciência e a educação, que são por excelência espaços de inquietude”.

Também para Pedro Gorki, presidente da UBES, essa é a explicação para a falta de prioridade do atual governo federal com a educação. “Não à toa uma das primeiras ações do Temer foi limitar as verbas para a educação com o teto de gastos, assim como a primeira ação da Ditadura Militar em 1964 foi incendiar a sede das entidades estudantis”, comparou.

Pedro Gorki: “A maior mudança quando o povo brasileiro dá significado à escola é que passa a ser livre e transformar a sociedade”.

Reforma, que reforma?

Alguns convidados, como Lucas Chen, da União Municipal dos Estudantes (UMES) de São Paulo, questionaram ainda a atual reforma do Ensino Médio (PLC 34/2016), um dos temas do seminário, por diminuir a possibilidade de formação crítica.

A mudança teoricamente dá mais opções para os estudantes, mas não se explica como isso será possível. Além disso, quem optar pelo ensino profissionalizante precisa abrir mão de outros aprofundamentos. “Vamos voltar à situação em que a criança no berço já sabe se vai para a universidade ou não, conforme seu sobrenome e a renda da sua família”, lamentou Selene Michielin, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNTE).

Voltar a sonhar

Ronald Sorriso, da Juventude do PT, recuperout a história de exclusão dos jovens negros que vem desde o final da escravidão. Para ele, o genocídio segue até hoje, agora acentuado pelo golpe. Citou Marcus Vinicius, o garoto assassinado na Maré, e os cinco meninos mortos em Maricá em março. “Estão dizendo que não adianta você tentar, você não será alguém.”

Por outro lado, a mesa apontou respostas para essa situação. Organização, luta e a formulação de um outro projeto, principalmente em ano de eleições. “Não queremos que nosso destino seja encarceramento em massa ou morte. Queremos voltar a sonhar”, conclamou Moara Correa, da juventude da Democracia Socialista (DS).

Também participaram da abertura Guilherme Brasil e Laís do Vale, da UPES-SP. O Seminário segue até o fim de domingo (21/7) com Grupos de Trabalho e painéis sobre os desafios da educação pública hoje. A ideia do evento é formular um projeto consistente da juventude sobre educação para apresentar à sociedade candidatos.

“É o melhor momento para a gente pensar em qual o papel da escola pública na sociedade que queremos concluir”, resumiu Gorki, sobre o seminário.