Seminário de Educação da UBES debate o Ensino Técnico que os estudantes querem

A resistência pela permanência no ensino técnico inclui o debate em defesa da expansão de vagas, mas também de assistência estudantil

“Não é apenas formar para o mercado de trabalho. A proposta do Ensino Técnico Integrado é formar em todas as dimensões da vida humana” afirmou Danielle Santos, mestre em Educação pela PUC-SP e convidada do grupo de trabalho “A luta pela resistência e permanência no ensino técnico”, do Seminário Nacional de Educação da UBES, realizado na sexta-feira (20), no Instituto Federal de São Paulo.

A mesa reuniu convidados para debaterem os percalços e necessidades do ensino técnico no país e suas soluções. Danielle apontou que retrocessos como a reforma do ensino médio aprofundam ainda mais as dificuldades dos estudantes e a desigualdade social no país: “A reforma nega o direito ao conhecimento e a uma formação básica comum, pois a divisão do currículo em áreas leva à privação do acesso ao conhecimento”.

Danielle apontou que “só com organização, mobilização e luta” será possível reverter as reformas.

Em pouco mais de 10 anos, as matrículas nos institutos federais passaram de 18 mil para mais de 1 milhão de estudantes, mas os recursos à modalidade de ensino tiveram redução de investimentos nos últimos anos. Em 2017, era previsto uma verba de R$ 565 milhões para os institutos federais, mas apenas R$ 339,4 foram liberados pelo Ministério da Educação.

José Palheta, estudante do Ensino Técnico e convidado da mesa, afirma que “precisamos desmistificar essa inviabilidade financeira” de ampliar os recursos para a educação. “É preciso casar um debate da luta pela revogação da emenda que limita os gastos com educação, com a luta em defesa de mais orçamento para a pasta”, conclui.

O movimento estudantil conquistou em 2010, depois de anos de luta, um plano nacional de assistência estudantil que desse possibilidades às pessoas que possuem vulnerabilidade social, a permanecer e concluir seus estudos. Galheta cita a importância dessa política de assistência mais forte, que atenda uma demanda maior de estudantes: “Para isso nós precisamos sair do patamar de que a assistência estudantil seja apenas um decreto para que ela seja uma lei consolidada com orçamento próprio”.

Além da questão da permanência, outra dificuldade encontrada pelo estudante é o mercado de trabalho. Rozana Barroso, diretora de Escolas Técnicas da UBES e mediadora do GT, afirma que quando o jovem termina o curso, ele se vê em uma situação com ausência de oportunidades: “Depois da luta para conseguir se formar, o governo de Michel Temer que é responsável por 14 milhões de brasileiros desempregados, dificulta ainda mais a inserção no mercado de trabalho.”

Rozana diz ainda que, em um cenário como esse, é complicado até para concluir o curso. A falta de material e de merenda, além do atraso no salário dos professores piora ainda mais a situação: “Para reverter esses ataques precisamos de pessoas compromissadas e responsáveis para com o Brasil, além de luta diária, organização dos estudantes e voto consciente para virar esse jogo”.

Entenda a luta pela permanência do Ensino Técnico

Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) é “triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público.”

Mas, na reforma do ensino médio proposta por Temer, o ensino técnico com qualidade fica ameaçado. Neste modelo, o interessado na formação profissional precisa abrir mão de estudar outras áreas do conhecimento para cursar esta modalidade, diferente do que acontece hoje nos Institutos Federais e nas escassas escolas técnicas estaduais, de período integral e ensino profissional realmente integrado ao médio.

Jovens formados não apenas para apertar parafusos

O ensino técnico integrado contribui para uma educação pública de qualidade. Possibilita não somente que os jovens sejam melhor preparados para o mercado de trabalho, mas também os formam de modo amplo, desenvolvendo neles seu senso crítico para que possam entendam seu papel na sociedade.


Para ampliar a discussão do tema, a Direção Nacional da UBES aprovou, em reunião neste domingo (22/7), a realização do 14º Encontro Nacional de Escolas Técnicas (ENET), em local e data a serem definidos.