RJ: Mais uma vez, Faetec retoma aulas com atraso e sem merenda

“A situação das escolas técnicas do Rio, que eram nosso sonho, tem tirado a perspectiva de futuro da juventude”, diz diretora de Escolas Técnicas da UBES

Em 15 escolas técnicas do Rio de Janeiro, o ano de 2017 ainda não acabou. Cerca de 8 mil estudantes voltam às aulas não para começar um novo ciclo, mas para terminar meses do ano letivo anterior.

A situação da rede da Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica) é dramática desde 2015 e parece longe de se resolver. Neste ano, o orçamento do Rio para Ciência e Tecnologia é quase metade de 2017: passou de R$ 364 milhões para R$ 189 milhões.

A prorrogação do fim de ano acontece em parte por greve de funcionários, que acumulam salários atrasados, e também pela falta de merenda em muitas unidades, o que não permite aulas em período integral. Em meio período, demora mais para fazer todas as matérias do ensino tecnológico aliado ao regular, como propõe a rede estadual.

É inusitado, mas a situação tem se repetido ano a ano desde 2016, quando a educação começou a pagar pela falência financeira do estado fluminense. Em 2015, a rede passou por duas grandes greves de professores e ocupação estudantil em diversas das 130 unidades.

“Faltam professores, salários, material, alimentação, tem salas com teto caindo”, lamenta Rozana Barroso, que liderou a ocupação da sua unidade, em Campos dos Goytacazes, e hoje é diretora de Escolas Técnicas da UBES.

Sonho frustrado

Rozana lamenta que uma rede que “tem tudo para dar certo, com ótimos técnicos, professores doutores e formação integral”, não seja tratada com respeito. Enquanto o governo federal apresenta uma reforma do Ensino Médio com opção de ensino tecnológico precário, ela lembra da importância do ensino técnico de qualidade, como o que historicamente costumava ser oferecido nas unidades da Faetecs.

“Sempre sonhei em fazer o médio técnico. Ter que lidar com essa precariedade foi uma decepção. Assim como eu, são estudantes que sonham em ter educação de qualidade e têm seus sonhos destruídos. Isso tem tirado a perspectiva de futuro da juventude.”

O Rio de Janeiro tem 12% de evasão escolar no Ensino Médio, ficando acima da média nacional de 11%, em números do Censo Escolar de 2015.

Para Rozana, o papel da UBES é estar na linha de frente na luta por recursos e prioridade para a educação:

“A UBES tem papel primordial agora de restaurar a perspectiva de futuro da juventude, organizar cada vez mais os estudantes para lutar por um país mais justo e, consequentemente, uma educação pública, gratuita e de qualidade.”

*A imagem de destaque é de manifestação por recursos para a Faetec em 2016