Luto pelo Museu Nacional, luta pela educação

Movimento estudantil encheu a Cinelândia para se manifestar sobre tragédia anunciada que incendiou o primeiro museu e parte da história brasileira

Fotos: Vangli Figueiredo/ Circus da UBES

“Assim como a crise da educação, a tragédia no Museu Nacional não é inesperada ou inevitável”, afirmou o secundarista Pedro Gorki, presidente da UBES, em uma Cinelândia lotada pelo luto ao Museu Nacional de História Natural, nesta segunda (3/9). O incêndio que tomou conta do prédio histórico e seu acervo, no dia anterior, comoveu e mobilizou milhares de pessoas em manifestação convocada pelas entidades estudantis, como UBES, UNE e ANPG.

Mais antigo do Brasil e maior da América Latina em história natural, o museu completou 200 anos em maio necessitando restauros e reformas inclusive para segurança. Um relatório de 2015 já indicava os riscos de incêndio. Porém, a instituição fica, desde 1946, sob responsabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com verbas cortadas ano a ano. Para piorar, a Emenda Constitucional 95, antiga PEC 55, impõe um teto de gastos aos investimentos do País desde 2016.

Para Gorki, a falta de prioridade e financiamento para educação e cultura fazem parte do projeto atualmente em vigor no Brasil, pois não interessa ao neoliberalismo um povo com conhecimento e identidade fortalecida: “A tragédia faz parte de projeto que sucateia o Iphan, o Ministério da Educação e que aprovou no Congresso a Emenda Constitucional 95, projeto de sucateamento da educação, da cultura e, principalmente, de dominação do nosso povo”.

Segundo pró-reitor de Planejamento e Finanças da UFRJ, Roberto Gambine, as verbas da universidade vêm caindo ano a ano, o que coloca em risco diversos prédios tombados: R$ 450 milhões em 2016, R$ 420 milhões em 2017, R$ 388 milhões em 2018 e previsão de R$ 364 milhões para 2019. “O país não vai aguentar muito tempo com esse teto de gastos imposto pelo governo de Michel Temer”, disse ele à Folha de S. Paulo.

Flavinha Calé, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)

Criado por d. João 6º em 1818 como Museu Real, em outro local, o maior museu de história natural e antropológica da América Latina ocupava agora antigo palácio de moradia da Família Real na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio, e abrigava mais de 20 milhões de peças. Entre elas, o maior dinossauro já descoberto no Brasil e o mais antigo fóssil humano encontrado no país. 

Leia mais sobre o Museu Nacional e seu aniversário de 200 anos

Assista vídeo sobre a importância do Museu Nacional

Nota da UNE

“Infelizmente, este acontecimento não é um fato isolado, mas faz parte de um processo de anos de sucateamento das Universidades Públicas e do descaso com os museus e aparelhos de cultura e arte, como vem sendo denunciado pelas organizações científicas, entidades educacionais e movimento social.”
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Nota do DCE UFRJ

“O que aconteceu hoje não é resultado de uma falta de manutenção no abstrato, mas de um projeto de educação que tem destruído toda a nossa Universidade e esgarçado as possibilidades de construir ciência pública, gratuita e emancipatória nesse país.”
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