Estudantes participam de ato em solidariedade aos professores agredidos pela polícia em São Paulo

Professores e funcionários públicos estão em greve desde a última quinta-feira (08) e sofreram com violência policial durante manifestação

A UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas) está presente no ato que acontece na tarde desta quinta-feira (15), na Câmara Municipal de São Paulo em repúdio à repressão sofrida pelos professores e professoras na manifestação que realizaram ontem (14) contra a reforma da Previdência de servidores municipais, proposta pelo prefeito João Dória.

De acordo com a prefeitura de São Paulo, atualmente, R$ 650 milhões são gastos com a aposentadoria dos servidores e 22% deste valor sai dos cofres públicos, pois as contribuições recebidas não fecham a conta. E, por este motivo, alega necessidade impondo o ajuste “SampaPrev”.

Na tarde desta quarta-feira (14), professores da rede municipal da capital paulista foram violentamente reprimidos pela GCM (Guarda Civil Metropolitana), que agrediu e usou gás lacrimogêneo nos professores, levando muitos a passarem mal.

A professora Luciana Xavier, que foi acertada no nariz por um cassetete da polícia, saiu sangrando e teve de ser socorrida por colegas.

De acordo com Anderson Ribeiro, Tesoureiro da UPES, que está no local, até o momento está sendo um ato pacífico, ao contrário do que aconteceu ontem devido a intervenção policial.

Professores e estudantes de diversos setores estão participando e contam com o apoio e presença de toda a classe de funcionários públicos e movimentos sociais. Devido a quantidade de pessoas, as avenidas em torno da Câmara Municipal encontram-se fechadas.

Em solidariedade aos professores paulistas, a UPES divulgou uma “Nota de repúdio ao governo Tucano”:

“A União Paulista dos Estudantes Secundaristas, vem a público, repudiar a ação criminosa de espancamento e brutal violência sofrida pelos professores municipais da cidade de São Paulo, ocorrida na tarde de quarta-feira, 14 de março de 2018, pela Guarda Civil Metropolitana, sob o comando do ainda prefeito João Doria.

Não bastando sua completa incapacidade de gerir a cidade e suas nefastas políticas de destruição da qualidade da educação pública, que cortou leite, marcou as mãos das crianças para não repetir a merenda, fechou bibliotecas, tentou servir ração em vez de merenda de qualidade, cortou programas de acesso à cultura aos estudantes, dentre outras ações, Dória, quer implantar a perversa Reforma da Previdência, repudiada e derrotada em nível federal.

A única marca de gestão que o tucano João Dória deixa, são as marcas da violência de uma política que não tem diálogo e que não valoriza a educação e tão pouco nossos heróis do dia a dia, nossos professores! O que não é diferente daquilo que já vivemos na pele com o governo estadual Geraldo Alckmin.

Quem bate em professor não pode ser gestor, muito menos político. Quem defende educação não desvaloriza e maltrata professor. Os estudantes secundaristas de São Paulo se solidarizam​ e se somam​ à luta de nossos professores. Não calarão as vozes das lutadoras e lutadores de um futuro mais digno.

Diante de tamanha injustiça, não nos silenciaremos! O professor é nosso amigo, mexeu com ele, mexeu com a gente! À luta!

São Paulo, 14 de março de 2018
Emerson Santos
Presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas”

 

Por Aline Campos