Estudantes em alerta contra ameaça à Educação no Espírito Santo

Governador do estado já fechou 42 escolas e 72 turmas desde 2015

Uma audiência pública organizada pela UBES e o Grêmio Rui Barbosa em conjunto com o Movimento de Educação do Campo e o gabinete do deputado Sérgio Majeski (PSDB), na última quarta-feira (21), mobilizou jovens em Vitória para discutir sobre o desmonte da educação no estado capixaba.

O fechamento de escolas no Espiríto Santo vem acontecendo desde 2015, início da gestão do atual governador, Paulo Hartung (MDB), citado na Operação Lava Jato como “baianinho da Odebrecht”, que durante seu mandato já fechou 42 escolas alegando falta de verba e falta de procura por vagas.

Mas as estatísticas mostram que, em 2014, o Espírito Santo tinha 497.498 vagas disponíveis nas escolas estaduais e em 2018 este número caiu para apenas 282.983, uma diminuição de quase 50%. Sem contar que a perda do orçamento da educação no Estado já alcançou R$ 4 bilhões.

O Governo do Estado, a Secretaria de Educação (SEDU), o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o Ministério Público e os 30 deputados estaduais foram convidados para a audiência pública, porém nenhum dos órgãos compareceu ou enviou um representante, com exceção do deputado Sérgio Majeski.

Em 2015, o governador Paulo Hartung, criou o “Projeto Escola Viva” com a prerrogativa de ser um novo modelo de ensino médio para o Espírito Santo com a implementação da educação integral. Desde então, começou a luta dos movimentos estudantis contra o projeto que não levou em consideração a opinião dos estudantes ou de professores.

“Por meio de um projeto de lei tentaram impor, no meio do ano letivo, a implantação deste projeto que levaria todas as escolas a terem aulas em tempo integral, e o grande questionamento era: ‘para onde iriam os alunos que não poderiam estudar o dia todo?’, questiona Luiz Augusto Mendonça, presidente do Grêmio Rui Barbosa do Ifes – Campus Vitória.

Ensino Integral sem estrutura nas escolas

Segundo Mendonça, quase toda semana uma escola estadual é interditada pelo corpo de bombeiros no estado e a comunidade escolar se pergunta “que escola integral é essa que não tem estrutura?”.

“No início do ano passado, tivemos uma greve de Policiais Militares e eles trouxeram a guarda nacional para cá, assim como o Temer está fazendo com o Rio de Janeiro. Isto é um exemplo de que os políticos têm usado o Espírito Santo como ensaio para as jogadas de Temer”, alerta.

Luiz Augusto Mendonça, Vice-Ubes Regional do Espírito Santo e Presidente do Grêmio Rui Barbosa do Ifes – Campus Vitória.

Para o jovem, os movimentos estudantis vêm o projeto Escola Viva apenas como laboratório de ensaio para a Reforma do Ensino Médio que Temer aprovou em 2017, porque além do governador do estado do Espírito Santo ser do mesmo partido de Michel Temer, é amigo íntimo do atual presidente do país. Vale ressaltar que uma das 30 cidades mais perigosas do Brasil, Serra, está localizada no estado.

Mendonça informa que os estudantes capixabas vão se mobilizar: “Nosso escopo para os próximos meses é realizar mobilizações nos 21 campi dos institutos federais e nas escolas estaduais de Vitória. Queremos colher assinaturas para entregar no Palácio do Anchieta com uma passeata nas principais avenidas da capital”.

É importante lembrar que a Reforma do Ensino Médio propõe o ensino em tempo integral, mas não prevê investimento suficiente para este projeto. E de acordo com a Emenda Constitucional 95 a educação será, certamente, uma das áreas mais atingidas pela imposição do teto nos gastos públicos.

 

 

Por Aline Campos