#EleNão: Mais livros, menos armas

Enquanto ele defende disseminação do ódio e liberação das armas, defendemos a escola pública, os livros e possibilidades para um futuro mais justo

Por Rozana Barroso e Stefany Kovalski*

Na madrugada do dia 16 de setembro, hackearam nosso grupo que ultrapassou 2 milhões de membros em duas semanas. O ódio distribuído pelas pessoas, em sua maioria homens, que se sentem representados pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), afetou a vida pessoal de inúmeras mulheres que receberam ameaças e tiveram seus dados expostos.

Apesar da tentativa de desmobilização que pode ser chamada “carinhosamente” de um atentado à nossa jovem e tão machucada democracia, resistimos. Algumas pessoas não aceitavam a ideia de milhões de mulheres exercendo seus direitos de manifestação, e pra tentar fazer com que não ocorresse o ato, ameaçaram até tirar as nossas vidas.

As redes sociais começaram a bombar com a hashtag e todas começamos a gravar vídeos dizendo porque #elenão. Os vídeos eram cheios de conteúdo, falamos dos únicos dois projetos aprovados em 27 anos de vida pública, do caos que vive o estado do Rio de Janeiro e de que nada tinha sido feito pelo deputado eleito nesse mesmo estado, do fato do candidato à presidência nem sequer falar do Plano Nacional de Educação (PNE), de ter ajudado a aprovar inúmeros projetos inadmissíveis, inclusive a emenda constitucional que limita os investimentos na saúde, educação e em segurança pública (EC 95).

Colocamos à prova seu título de patriota quando citamos que Jair Bolsonaro defende privatizar todas as empresas nacionais, inclusive a Petrobrás. Como desenvolver o Brasil com um presidente que não revogará a reforma trabalhista, a reforma do ensino médio, a PEC 95 e tem o projeto de país submisso ao setor financeiro internacional? Como nós, mulheres, a maior parte da população e consequentemente a maior parte da classe trabalhadora não seremos sujeitas ao emprego informal com tudo isso?

As declarações racistas, LGBTfobicas, machistas e xenofóbicas também são uma marca registrada dele, por isso no dia 29 de setembro não só as mulheres, mas todos e todas que sonham com justiça e igualdade ocuparam os quatro cantos do mundo.

A participação dos e das estudantes secundaristas foi essencial para mostrar que a juventude brasileira está do lado certo da história. O lado das mulheres, dos negros e negras, dos e das LGBTs, da educação pública gratuita e de qualidade. Os atos tiveram muita política, debates, apresentações culturais e principalmente um forte sentimento de amor e unidade.

Os atos tiveram muita política, debates, apresentações culturais e principalmente um forte sentimento de amor e unidade.

Enquanto o general reformado defende disseminação do ódio e liberação das armas de fogo, nós defendemos a escola pública, os livros e a oferta de possibilidades para a juventude poder sonhar com um futuro mais justo, com empregos e acesso à universidade. Queremos um Brasil do tamanho dos nossos sonhos. Acreditamos que a educação é a solução para diminuir as desigualdades sociais, a criminalidade e o preconceito.

Queremos um Brasil do tamanho dos nossos sonhos. Acreditamos que a educação é a solução para diminuir as desigualdades sociais, a criminalidade e o preconceito.

Quinhentos e treze anos tem o Brasil e, assim como 1932 entrou para história por termos conquistado o direito ao voto, o dia 29 de setembro de 2018 também entrará como o dia em que mostramos que as mulheres brasileiras são contra o fascismo. Usaremos nosso voto para defender um Brasil justo e soberano.

Terão que aguentar a chegada da primavera!
#elenão #elenunca

* Rozana Barroso é diretora de escolas técnicas da UBES e Stefany Kovalski é segunda diretora de mulheres da UBES