Como combater a LGBTfobia nas escolas?

Insultos a estudantes LGBT são alguns dos exemplos daquilo que deve ser enfrentado no ambiente escolar

No ano de 2016, 60% dos estudantes LGBT do Brasil se sentiram inseguros na sua própria escola devido a sua sexualidade, segundo a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional. Ainda de acordo com a pesquisa, 73% foram agredidos verbalmente e 36% fisicamente em razão desse preconceito. Orientação sexual e identidade de gênero não devem ser motivos para humilhar ninguém e as violências lgbtfóbicas devem ser combatidas no ambiente escolar.

Escola não é lugar de preconceito. Pelo contrário, é onde os estudantes devem aprender a conviver com as diferenças. Miriam Abramovay, coordenadora da área de juventude e políticas públicas da FLACSO (Faculdade Latino-Americana de CIências Sociais), diz que as escolas ainda não levam em consideração casos de LGBTfobia, pensando ser apenas uma “brincadeira” ou algo inofensivo: “A realidade é que elas não sabem como tratar o tema, o descaso pode ser muitas vezes por falta de conhecimento”, afirma.

Miriam também cita que é preciso capacitação aos profissionais da educação em relação a esse assunto, o que não existe nas escolas: “Fala-se muito pouco disso e só se pode combater o que se tem conhecimento”, explica.

Jardel Corbacho, diretor LGBT da UBES, afirma que umas das formas de combater a LGBTfobia, é tendo debate de gênero nas escolas. Ele aponta que um direito que existe é a inclusão do nome social no registro do estudante trans, porém nem sempre é cumprido pela diretoria, mostrando o descaso em que o tema é tratado. Jardel completa: “LGBTfobia se combate no diálogo da desconstrução, mostrando que estamos aqui com o nosso amor, e iremos resistir.”

Listamos aqui 6 formas para ajudar a combater a LGBTfobia na escola:

Orientação sexual e identidade de gênero são condições que já nascem com os indivíduos. Ninguém pode trocar de sexualidade, portanto não ache que uma pessoa da sua classe é LGBT por opção. Afinal, se você é hétero, não conseguiria nem se imaginar beijando alguém do mesmo sexo, né? Portanto, procure se informar para apoiar quem está passando por alguma situação de violência na sua escola.

Insultos e humilhações tratados como “brincadeira” podem causar sérios danos à saúde mental e física da pessoa. Não se cale ao ser perseguido ou ver alguém perseguindo uma pessoa LGBT nas escolas. A situação de bullying deve ser levada à diretoria para que sejam tomadas medidas punitivas e educadoras. Quando ver uma situação dessa, se possível filme ou registre de alguma forma para poder registrar a ocorrência.

Se conversar com a diretoria não foi o suficiente ou se você acha que a situação já está passando dos limites, disque 100. O Disque Direitos Humanos é uma ouvidoria vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos que recebe as denúncias, encaminhando aos órgãos de proteção e defesa em direitos humanos. No prazo máximo de 24 horas, respeitando a competência, o sistema irá definir qual órgão intervirá de forma imediata no rompimento do ciclo de violência e proteção da vítima.

Os grêmios podem ser grandes apoiadores na conscientização do respeito à diversidade. Ações por meio de cartazes, gincanas e até exibição de filmes, incentivam os estudantes a ficarem mais empáticos à condição dos colegas.

Não deixe que esse assunto seja velado. Converse com os professores, use o tema para trabalhos e em momentos de debate, avance e procure explicar aos colegas a realidade da população LGBT e a necessidade em combater o preconceito.

Em vários municípios do país, o projeto de lei que visa censurar o debate em sala de aula avança e enfrenta grande resistência da juventude. Dentre as proibições em sala de aula, estaria a menção aos termos “orientação sexual” e “gênero”. Estudantes apoiados pela UBES conseguiram barrar o progresso da lei em várias cidades, porém é preciso continuar atento e acompanhar a tramitação do projeto em sua cidade. Não permita que escondam a existência dos LGBT em sala de aula!