Com medo de protesto, Dória fecha bairro nobre em SP

Depois de reunir 10 mil pessoas no primeiro grande ato contra o aumento da tarifa, estudantes, juntamente com a população, continuam os protestos nesta quarta-feira (17)

Por volta das 17 horas, as pessoas que passassem perto da casa do prefeito João Doria Jr., na Rua Itália, Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo, eram abordadas, revistadas e impedidas de passar pelos policiais, presentes em massa na região. Essa grave infração ao direito de ir e vir deixa ainda mais clara a intenção dos governos tucanos em relação ao aumento da tarifa do transporte público na capital paulista.

“Prefeito e governador terem fechado o jardim Europa só mostra como querem nos tirar o direito a ocupar a cidade. Querem mostrar que este é espaço dos ricos. Mas vamos seguir o ato pelo nosso direito de ocupar as ruas e a cidade”, disseram em jogral os presentes no ato.

Devido essa ação da polícia, a concentração do ato foi então alterada para o cruzamento da Av. Faria Lima com a Av. Cidade Jardim. Com essa mudança, a aula pública “Contra o Aumento” que estava marcada para acontecer em frente à residência do Doria foi cancelada. “A polícia já estava fechando o cerco em torno da casa do Doria e por isso mudamos a concentração do ato. O que prevemos aqui é repressão da polícia, que tem um ônibus estacionado aqui”, disse o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Catatau, no começo da manifestação.

Por volta das 19h, os manifestantes ocuparam todas as faixas da Av. Faria Lima sentido Largo da Batata. “Estamos aqui para denunciar o aumento abusivo da passagem, sobretudo o aumento do preço da integração que em alguns lugares chegou a aumentar acima da inflação, o que dificulta principalmente a vida de quem mora na periferia”, disse Catatau.

Foto: Caio Chagas / Jornalistas Livres

O presidente da UPES lembrou ainda que os estudantes estão se manifestando também contra a restrição do Passe Livre em São Paulo, feitas pelo atual governo Doria. Quando foi implementado o passe livre poderia ser usado várias vezes ao dia. Atualmente, a gratuidade é apenas em dois períodos de duas horas por cada dia. “O Doria burocratizou o passe livre estudantil, com cortes, e restringindo o direito do estudante à cidade”, disse.

A passagem de ônibus e metrô em São Paulo passou de R$3,80 para R$4,00 no dia 7 de janeiro. Em 2017, o prefeito João Dória congelou a tarifa em R$3,80, para manter sua promessa de campanha. Porém, a integração ônibus-metrô foi aumentada e o passe livre estudantil teve sua cota reduzida.