Caravana de estudantes fortalece luta em Curitiba

Secundas e universitários se uniram a acampamento de resistência e promoveram aula pública sobre o golpe no Brasil, na UFPR

“Contem com os estudantes”, disse hoje o presidente da UBES, Pedro Gorki, ao chegar no acampamento pela democracia e liberdade de Lula, na frente da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente está preso de forma arbitrária.

Vários ônibus com jovens secundaristas e universitários de todo o país estacionaram na capital paranaense nesta terça (17/04) cedo, depois de viajarem de madrugada com a caravana “Coração de Estudante – pela democracia e pela liberdade de Lula”.

Logo de manhã, o representante dos 40 milhões de secundaristas discursou sobre a resistência no Paraná e lembrou que o movimento estudantil no estado foi o primeiro setor da sociedade a reagir contra o golpe parlamentar de 2016:

“Essa não é a Curitiba da república do juiz Sérgio Moro, esta é a Curitiba de 50 mil estudantes e professores brutalmente massacrados pelo governo Beto Richa ao protestar por educação. É a Curitiba dos estudantes secundaristas que ocuparam mais de 800 escolas dizendo não ao golpe e sim a um projeto de nação que pense a educação.”

Para Gorki, a prisão de Lula sem provas faz parte da mesma trama que retirou Dilma Rousseff da presidência também sem prova de crimes de responsabilidade: “A Constituição diz que todo o poder emana do povo. Impedir Lula de ser candidato, tirar sua liberdade, é dizer que o povo não pode escolher qual projeto de nação vai reger nosso país até 2022”.

Aula pública

A caravana de secundaristas e universitários em Curitiba também promoveu hoje uma aula pública na Universidade Federal do Paraná. Professor convidado, Ricardo Oliveira é responsável pela disciplina optativa sobre o Golpe de 2016 na UFPR. Ele analisa o contexto brasileiro com base em suas linhas de pesquisa, sobre as oligarquias brasileiras:

“Todo mundo viu no dia do golpe, dois anos atrás, que o deputado não estavam preocupados com a cidadania ou a modernidade do Brasil. Qual foi o léxico mais dito? ‘A minha família.’”.

Assista aqui.

Professor convidado, Ricardo Oliveira é responsável pela disciplina optativa sobre o Golpe de 2016 na UFPR

Esta disciplina sofreu uma tentativa de censura pelo Ministério da Educação quando foi criada pela primeira vez no começo do ano, na Universidade de Brasília (UnB). Como demonstração de reconhecimento da liberdade de ensino, outras faculdades passaram a desenvolver e oferecer o curso.

“A censura que tentaram aplicar nas universidades, impedindo uma disciplina optativa sobre o contexto do golpe no Brasil, é a mesma que tentam emplacar nas escolas, com a mordaça do projeto ‘Escola Sem Partido’. Querem impedir os estudantes não só de falarem sobre o golpe, mas de falarem sobre a escola que queremos, sobre política, religião, cultura, sobre o mundo que a gente deseja”, denuncia o presidente da UBES.

Acompanhe a caravana “Coração de Estudante” pelas redes sociais da UBES.

Curiosidades sobre o acampamento em Curitiba

O acampamento tem recebido personalidades políticas e artísticas desde que foi montado, há uma semana. Na tarde desta terça, passou por lá uma comitiva de senadores que conseguiu autorização para uma vistoria na prisão. (Como visita Lula só pode receber, sempre às terças, familiares e advogados)

 O ex-presidente disse aos advogados e em carta que consegue ouvir os protestos e gritos do acampamento. Todas as manhãs os manifestantes gritam: “Bom dia, presidente Lula”

 Algumas barracas do acampamento estão sendo transferidas para um terreno alugado pela organização. A justiça do Paraná chegou a determinar uma multa pela permanência no espaço em frente à Polícia Federal. O Ministério Público do Paraná também já alegou que a cidade não tem estrutura para receber um ex-presidente.

Fotos: Vangli Figueiredo/ Circus da UBES