Liderança secundarista da Colômbia explica os desafios na educação do continente

Para ela, o próximo CLAE (Congresso Latino-Americano de Estudantes) tem o potencial de propor a mobilização continental e, por sua vez, colocar os alunos na batalha contra projetos e políticas desumanizadoras

A Colômbia está passando por uma crise no que diz respeito às questões sociais e atravessa um momento de transição que prevê reformas graduais na Educação no país. É o que diz a presidenta da Asociación Nacional de Estudiantes de Secundaria – ANDES, Deisy Aparicio.

A líder da organização relata que a crise econômica colombiana afeta diretamente as escolas, que sem investimento do poder público acabam tendo suas gestões privatizadas:

“Esta situação fez com que a educação perdesse seu papel emancipador e de inspirar nos estudantes o senso crítico. Mas, entidades do movimento estudantil realizaram importantes paralisações e mobilizações que colocaram a discussão na agenda educacional do país”.

Deisy também faz parte da organização Mujeres por la Paz.

A união da luta dos estudantes e dos professores resultou contribuiu para a retomada da força do movimento estudantil que vinha sofrendo com perseguições do governo e um estigma de criminalização.

Os desafios do movimento estudantil colombiano

Para o ano de 2018 a ANDES deseja conseguir, com o debate público no campo legislativo e a mobilização social, popular e de rua, o direito à educação financiado inteiramente pelo Estado.

Há ainda uma preocupação com a educação nas áreas rurais da Colômbia que encontra-se em crise profunda. “Vamos intimar o ministério da educação, gerar processos regionais rurais para a construção do plano que tem foco nos direitos à alimentação e transporte, garantindo a relevância dos conteúdos e a permanência dos estudantes”, explica Deisy.

No que diz respeito às ações da ANDES, atualmente, a organização tem avançado com o desenvolvimento de campanhas a favor da democracia nas escolas, como a La democracia comienza por la escuela que promove a participação dos estudantes nas eleições institucionais.

A educação que queremos para a América Latina

Deisy acredita na união dos países latino-americanos e considera o fortalecimento da democracia indispensável em um continente onde, “por meio de golpes macios, intervenções militares e ataques de mídia”, há um levante contra movimentos democráticos.

A presidenta enfatiza que a ANDES considera a OCLAE (Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes) fundamental para a articulação, união e fortalecimento da luta estudantil no continente.

E defende a luta contra os modelos de educação privatizantes e mercantilizados que são impostos no mundo e no continente para enriquecer poderosos:

“Pensamos em uma educação disponível para todos, como direito humano e bem comum. Pensamos em uma educação para a libertação.”

“Estamos juntos nesta batalha”

Deisy menciona que a ANDES vê com muita preocupação o que tem acontecido com a educação na América Latina e ressalta a importância da união dos estudantes.

Para os secundaristas brasileiros, deixa um recado: “Uma grande saudação combativa aos estudantes do Brasil e à UBES! Continuaremos promovendo a unidade do movimento estudantil e lutando contra as medidas do governo ilegítimo de Temer”.

 

 

Por Aline Campos