2018 começa na luta: estudantes contra aumento de passagens

Em São Paulo e Salvador, jovens marcam protestos contra tarifa mais cara e sucateamento do transporte

O ano mal começou e duas das maiores cidades do Brasil já lidam com aumento do valor no transporte público: em São Paulo, a passagem passa de R$ 3,80 para R$ 4 em 7 de janeiro, mesmo após o prefeito João Dória (PSDB) ter prometido que o valor seria mantido. Em Salvador, sob comando de ACM Neto (DEM), desde terça (2) a tarifa já foi reajustada de R$ 3,60 para R$ 3,70, o maior preço entre as capitais do Nordeste.

Apesar das mudanças em período de férias escolares, a resistência estudantil não tardou. Na capital baiana, os jovens já foram às ruas e ocuparam a Estação da Lapa no dia 28 de dezembro (foto acima). Além do aumento, os estudantes também reivindicam o passe livre estudantil, ainda um sonho na cidade. Um novo ato deve acontecer dia 11 de janeiro, durante a Lavagem do Bonfim.

Em São Paulo, um grande ato também está marcado para o dia 11, na frente do Theatro Municipal. O passe livre estudantil é direito na capital paulista desde 2015, mas sofreu cortes na quantidade de percursos ano passado.

Encarceramento nos bairros

Para o presidente da UBES, Pedro Gorki, estes aumentos representam a “proibição do acesso à educação e à cidade para muitos e muitas”. Ele lembra que o salário da maioria da população não acompanha os valores, o que se acentua com a reforma trabalhista:

“A periferia é quem mais sofre com os aumentos. Significa o encarceramento das pessoas em seus bairros, privando o povo de conhecer a própria cidade.”

Na capital paulista, os maiores aumentos, acima da inflação, são justamente quem mais usa ônibus ou que mora mais longe: no bilhete único mensal e na integração entre ônibus e metrô.

 A nova Revolta do Buzú

Em Salvador, além do preço, a lista de reclamações é grande. “No último aumento, um ano atrás, o prefeito disse que o valor seria revertido em melhorias, como nova frota e ar-condicionado, mas isso não aconteceu. A frota é decadente e foram cortadas várias linhas de bairros populares”, explica Rafael Paiva, presidente da AGES (Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador).

A cidade não tem passe livre estudantil nem bilhete único para integração de mais de um transporte. Já se fala em “nova Revolta do Buzú”, em referência a enorme manifestação popular que durou 15 dias na Bahia em 2003.

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