20 de outubro: Estudantes vão às ruas denunciar ameaça à democracia

Juventude se soma a manifestações no Brasil todo contra autoritarismo e estímulo à violência promovida por candidato. Veja por que ele é ameaça

Estudantes do Brasil todo estão mobilizados contra a ameaça à democracia que representaria uma eleição de Jair Bolsonaro (PSL). O candidato elogia a ditadura militar brasileira, prometeu “acabar com todos os ativismos” no Brasil, já questionou as urnas caso não vença o pleito e fez discursos contra as minorias.

Além disso, sua agenda política expressa por falas e no plano de governo não defende a educação pública e sequer cita o Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/2014).

Como definido em reunião da Direção Nacional da UBES, os estudantes irão se unir às manifestações em todo Brasil puxadas por mulheres neste sábado (20/10). Também se organizam em comitês nas escolas e grupos no WhatsApp (veja como criar o seu aqui)

“Durante a ditadura, milhares de jovens doaram sua vida em nome de uma escola digna e um país democrático. Hoje somos milhares que continuam acreditando nisso”, diz Pedro Gorki, presidente da UBES. “A educação e não a bala deve ser instrumento da esperança”, acrescenta.

Por que a democracia está ameaçada

Para um dos autores do livro “Como as Democracias Morrem” (Zahar, 2018), Bolsonaro se encaixa em todos os quatro quesitos para identificar comportamentos antidemocráticos. “Ele é abertamente autoritário”, afirma Steven Levitsky, em artigo.

O cientista político da Universidade de Harvard explica que todas as ditaduras contemporâneas começaram não com um golpe de Estado, mas sim com líderes populistas escolhidos democraticamente. Cita exemplos como Rússia, Turquia e Venezuela.

Na análise sobre o candidato brasileiro, Steven considera o encorajamento de execuções extrajudiciais pela polícia e afirmações como a de que a ditadura militar “deveria ter matado mais”.

Também já alertaram sobre a ameaça publicações internacionais como a revista inglesa The Economist e outros cientistas políticos nada esquerdistas, como o célebre Francis Fukuyama, da Universidade de Stanford, Estados Unidos. Ele concorda com a ideia de que atualmente as democracias acabem pelas urnas, com a eleição de populistas nacionalistas.

“A única maneira de derrotá-los [os populistas nacionalistas] é criando uma mobilização para vencê-los nas urnas”, afirmou Fukyama à Folha de S. Paulo.

Com mais de mil assinaturas, a carta Juristas Pela Democracia chama atenção ainda para a incompatibilidade das ideias de Bolsonaro com a Constituição Brasileira: “Temos a Constituição mais democrática do mundo, que diz que nosso Brasil é uma República que visa a erradicar a pobreza, fazer justiça social, reduzir desigualdades regionais, incentivar a cultura e promover a solidariedade.” O militar reformado já afirmou, por exemplo, que o Estatuto da Criança e do Adolescente deveria ser “jogado na latrina”.

As manifestações acontecem em pelo menos 18 estados.