União: palavra-chave para resistência feminista

Um movimento pautado na formação de redes de afeto e engajamento foi a principal reflexão das mesas sobre violência contra a mulher e resistência das pretas, no 4° EME

As debatedoras das mesas “Pelo direito de viver sem violência” e “Resistência e protagonismo das pretas” se uniram na tarde desta quinta-feira (7), no 4º Encontro de Mulheres Estudantes da UBES para uma grande roda de conversa com as meninas de todo o Brasil que participaram do encontro. Entre todas as falas, uma questão norteou o debate:   como o feminismo deve ser pautado para enfrentar a cultura da violência e do machismo.

“Precisamos sair daqui pensando em como vamos resistir” provocou Dara Sant’anna, diretora de Combate ao Racismo da UNE. A resposta veio logo: união, justamente como o encontro começou, com a união das duas mesas. A maioria das representantes permeou a ideia de que as mulheres só conseguirão resistir se fizerem isso de forma integrada, se permanecerem unidas e, principalmente, ativas por meio de redes de afeto e de engajamento: um feminismo que age e não apenas reage, que ocupe espaços, que promove o debate e a reflexão.

“Nós não podemos ser só o braço armado, precisamos também ser a pessoa que representa. Temos que ocupar os espaços. Essa é também uma forma de resistência muito importante”, afirmou Eliane Dias, coordenadora do SOS Racismo. Durante o papo, a coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM) Maria das Neves pediu que levantassem a mão todas que já haviam sofrido algum tipo de violência. O resultado, que infelizmente não surpreende, é que todas as presentes, a maioria estudantes do ensino fundamental  e médio, se manifestaram.

Durante o papo, a coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM) Maria das Neves pediu que levantassem a mão todas que já haviam sofrido algum tipo de violência. O resultado, que infelizmente não surpreende, é que todas as presentes, a maioria estudantes do ensino médio, se manifestaram.

Entre 2003 e 2013 os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% no Brasil, enquanto, no mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

O Brasil é o pior país da América do Sul em termos de oportunidades o desenvolvimento de meninas, segundo relatório divulgado ONG Save the Children, em 2016. Um dos números mais intrigantes, citados por mais de uma debatedora, foi divulgado Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil, estudo elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). A situação é ainda pior com o recorte racial. Segundo o estudo, entre 2003 e 2013 os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% no Brasil, enquanto, no mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%.

Para reverter esse quadro, todas as participantes ressaltaram a necessidade de construir uma nova sociedade, diferente da que está posta, para que as mulheres possam viver sem violência. Em meio ao debate, foi lembrado que, como a maioria das violências sofridas pelas mulheres acontece dentro de casa e nas ruas, os lugares mais presentes do cotidiano, lutar para ser mulher sem violência é lutar para existir, para ter direito básico à vida em uma nova sociedade.

Por Anna Horta, de São Paulo
Fotos: Yuri Salvador