Um manifesto para a educação do continente

2º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Estudantes Secundaristas, na Colômbia, mostra que luta por educação pública soberana não tem fronteiras

Depois de passar dois anos em contato com jovens de toda a América Latina e Caribe, o diretor de Relações Internacionais da UBES, Jairo Marques, conclui: “Temos lutas específicas em cada país, mas também problemas em comum e um mesmo ideal: uma educação pública que emancipe nosso povo”.

É para fortalecer esse objetivo comum que a UBES integra a Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE). Como maior movimento do continente, os secundas brasileiros têm responsabilidade na entidade. São responsáveis pela pasta de movimento secundarista e ajudaram a organizar o 2º encontro secundarista continental, que aconteceu em outubro de 2017, na Colômbia.

Neste encontro, os jovens das diferentes nações concluíram que precisam ter um manifesto sobre o ensino básico que defendem, assim como os universitários latinos têm o seu Manifesto de Córdoba, há quase 100 anos.

A missão deve ser resolvida em junho de 2018, no 18º Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes. Até lá, uma caravana da OCLAE vai incentivar este debate em escolas, universidades e centros de educação dos centros e periferias dos países.

“Temos lutas específicas em cada país da América Latina, mas problemas em comum e um mesmo ideal: uma educação pública que emancipe nosso povo” – Jairo Marques, diretor de Relações Internacionais

COMBATER O AVANÇO DO NEOLIBERALISMO

Jairo lembra que há muita semelhança entre problemas enfrentados por vários países latinos e caribenhos: “A luta é constante principalmente contra privatização do ensino básico. É uma preocupação no Brasil, com a reforma do Ensino Médio, mas também no Chile, na Argentina. Esses lugares também tiveram movimento de ocupações de escolas”.

Para os estudantes da OCLAE, uma onda neoliberal atinge o continente inteiro, mas a união pode ser caminho de resistência. “Enquanto a educação não for um bem público social, um direito humano universal e um dever do estado, o movimento estudantil deve continuar na luta”, conclamou o cubano Yordan Bango, presidente da entidade.

 

Originalmente publicado na Revista da Gestão 2015 – 2017.