SP: Estudantes fazem vigília contra o “Escola sem Partido”

"Não vão nos calar, escola sem partido é ditadura militar", bradavam os estudantes em manifestação na Câmara dos Vereadores contra a Lei da Mordaça

Os estudantes já ocupavam a Câmara Municipal de São Paulo, desde a manhã desta quarta-feira (07), para protestar contra PL do projeto Escola sem Partido que seria votado para entrar na pauta à tarde. De autoria dos vereadores Eduardo Tuma (PSDB) e Fernando Holiday (DEM), a discussão do PL 325/2014, que institui a Lei da Mordaça na capital paulista, seria votada ontem mas teve que ser adiada para hoje.

“O cenário é de grande imprevisibilidade, não é consenso, mas existe nos bastidores uma tentativa de orientação por parte da base aliada do governo votar favorável ao projeto”, diz Emerson Catatau, presidente da União Paulista dos Estudantes secundaristas (UPES).

“Estamos desde ontem ocupando a galeria da Câmara Municipal para dizer que somos contra o Escola sem Partido. Hoje a mobilização é maior, estão chegando desde às 11h da manhã mais pessoas, para gritar muito e pressionar contra a aprovação!”, acrescenta.

Estudantes e pessoas contrárias à Lei da Mordaça protestam na Câmara dos Vereadores

Enquanto os estudantes secundaristas presentes na plenária protestavam com palavras de ordem, um pequeno grupo de membros do Movimento Brasil Livre (MBL), se manifestavam a favor do projeto com cartazes ofensivos e evocando torturadores, como o coronel Ustra, explicitando a relação entre o Escola sem Partido e a Ditadura Militar.

Pequeno grupo de membros do MBL a favor do projeto

Antes da pauta ser colocada em votação, vereadores manifestaram-se em relação ao PL. “O Escola sem Partido é uma ignorância e aberração, parte de pessoas que não conhecem a escola, não sabem que sem liberdade pedagógica é impossível haver um processo de ensino e aprendizagem”, disse a vereadora Sâmia Bonfim (PSOL).

Os estudantes continuam na vigília na Câmara, atentos e pressionando contra o projeto. “Vamos fazer de tudo para barrar essa medida. Se aprovado o projeto, teremos um cenário na escola que perseguirá os movimentos estudantis, os professores e qualquer um que tente colocar o debate crítico e apresentar outras opiniões que não aquelas que o sistema ou o governo queira impor. Por isso, chamamos de lei da mordaça, pois é uma tentativa de nos calar”, diz Catatau.

Presidente da UPES, Emerson Catatau, durante protesto na Câmara Municipal

O parecer do PL da Mordaça na reunião de Comissões, desta tarde, não teve quórum para ser apreciado e não pôde seguir para discussão e votação no plenário. Será necessário convocar novamente um congresso de comissões para analisar o projeto.