Seis dicas do Jornalistas Livres para a sua página, blog ou site

Laura Capriglione, uma das coordenadoras da rede alternativa, participou do Coneg da UBES e, de quebra, aproveitou para dar sugestões aos jovens comunicadores

As redes sociais são ambiente em disputa. É no que acredita Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres. Para fortalecer a mídia dos jovens secundaristas, pedimos algumas sugestões da experiente jornalista, logo depois da participação dela na mesa “Comunicação das Novas Narrativas”, no 16º Coneg da UBES, em São Paulo, no último dia 9 de setembro. Ali mesmo no auditório da faculdade Zumbi dos Palmares, Laura se prontificou a tentar ajudar.

Veja como foi a mesa “Comunicação das Novas Narrativas”
Já viu tudo que rolou no CONEG? 

Ao contrário de quem vê o futuro do jornalismo com pessimismo, ela enxerga grandes possibilidades:

“Quando eu fazia movimento estudantil, para escrever era preciso escolher um dos jornais da imprensa alternativa. De tão pequenininhos, eles eram chamados de ‘imprensa nanica’. Hoje é possível ter uma página própria, com milhões de pessoas compartilhando. Vejo o jornalismo mais vivo do que nunca! Mas a gente precisa ocupar o espaço”.

Confira algumas dicas dela para ocupar e resistir na rede:

1) Ter mais de um publicador

Quanto mais gente com acesso para publicar, melhor. Laura diz que assim é mais fácil manter o espaço sempre ativo e, por isso, garantir um público frequente: “É preciso movimento, engajamento, compartilhamento. As pessoas precisam se habituar a entrar na sua página, e elas farão isso se tiver sempre novidades. É bem mais difícil conseguir manter com só uma pessoa publicando”.

2) Fazer reuniões

“No Jornalistas Livres, desenvolvemos uma tecnologia muito boa”, explica Laura. Trata-se de manter as pessoas que publicam sempre em contato pelas redes sociais, mas ainda assim realizar reuniões presenciais toda a semana. “Discutindo olho no olho criamos relações de confiança, decidimos quais são os assuntos e dividimos as tarefas para realizar. Se não for assim, não vai ter conteúdo sempre, vai morrer na areia”, ela diz.

3) Não depender de atos

“Se as entidades estudantis forem construir mídia que só fale de ocupações de escola, por exemplo, vão construir uma mídia que só existe quando tem luta. Não adianta… As pessoas têm que ficar com você no dia a dia”, dispara Laura. Para ela, o melhor jeito é falar sobre o que as pessoas vivem diariamente. Por quais problemas elas passam? Que coisas legais elas fazem? O que está acontecendo agora?

4) Se errou, corrija

Anota mais essa: “As redes sociais são um território em disputa. Tem muito boato, informação ruim. O segredo é a gente construir ilhas de credibilidade. Para isso, tem que fazer correção. Se você publicou algo com enfoque errado, se foi preconceituoso sem querer, tem que se desculpar, corrigir”.

5) Quem gostou, compartilha

Muitas redes sociais só divulgam os conteúdos das páginas quando são patrocinados. Laura tem uma dica para “hackear o sistema”: “Tem que usar a força de quem simpatiza com você. Quando é importante, tem que chamar o pessoal que tem interesse, pedir para compartilhar, para mostrar para mais gente. Precisamos usar a força dos movimentos sociais, da militância interessada e disposta a ajudar”.

6) Incluir, mas incluir MESMO

Para Laura, é fácil se achar inclusivo, mas, sem perceber, estar excluindo pessoas. “Se você defende, por exemplo, que todos os evangélicos são conservadores, fundamentalistas, só vai sobrar os conservadores para dialogar com eles e eles vão virar conservadores, mesmo”, explica.
Pega essa:

“Não adianta falar que é inclusivo, é de esquerda e falar mal de evangélico, falar mal de quem gosta de funk. Você perde oportunidade de dialogar com um monte de gente”.

Por Natália Pesciotta, de São Paulo
Foto: Guilherme Silva – CIRCUS da UBES