“Reforma da previdência é a destruição do nosso futuro”, diz Gorki em SP

Novo presidente da UBES participou de ato contra projeto do governo Temer, na sua primeira semana à frente da entidade

“Então essa é a avenida Paulista?”, reconheceu Pedro Gorki ao chegar em uma das vias mais famosas de São Paulo, do Brasil e do mundo. Nesta terça (05), o potiguar de 16 anos pôde conhecer um pouco mais da cidade onde passará os próximos dois anos, período em que estará à frente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

No segundo dia útil como presidente da entidade, Gorki já tinha uma missão: ocupar um dos maiores centros urbanos do país contra a reforma da previdência que Temer tenta aprovar no Congresso Nacional. Atos semelhantes foram organizados em diversos estados de forma ampla pelas Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, das quais a UBES faz parte. A deliberação para um grande dia de lutas ficou definida no congresso da entidade, o mesmo que elegeu Gorki.

Conheça Pedro Gorki, novo presidente da UBES

“Ocupamos as ruas de todo o Brasil para dizer que não aceitamos as contra-reformas de Temer. Não descansaremos até derrotar a reforma da previdência, que representa a destruição do futuro da juventude de hoje”, enfatizou Gorki, ao microfone.

“Sabemos que Temer é mais um dos sobrenomes que representa a elite que ataca direitos. Não descansaremos também até acabar com as intenções de Alckmin, que tenta fechar escolas, e de Dória, que quer privatizar a cidade”, citou ele, atento ao cenário paulista, sua casa no próximo período.

Vitória dos movimentos

O ato na avenida Paulista teve participação de representantes de diversos outros movimentos sociais. De modo geral, os discursos incitaram a uma greve geral no dia 13 de dezembro, data em que o Congresso pode votar a reforma da previdência.

“Se colocar pra votar, o Brasil vai parar”, gritavam os trabalhadores e estudantes que fechavam a via.

Vagner Freitas, presidente da CUT, fez questão de destacar que, se a proposta ainda não estava sendo votada nesta terça, era graças à pressão popular: “O Rodrigo Maia [presidente da Câmara dos Deputados] teve que ir à imprensa dizer que os golpistas não têm votos suficientes para aprovar o projeto. Isso porque nós ganhamos o debate na sociedade”.

Para os movimentos, a reforma significaria o fim da aposentadoria, que passaria a ser um produto privado. Sem falar na reforma trabalhista já aprovada que, como lembrado no carro de som, dificulta o acesso ao direito, com a legalização de postos de trabalhos intermitentes e temporários, sem contribuição suficiente à previdência.

Agenda cheia

Nos poucos momentos na avenida Paulista em que não recebia cumprimentos e abraços de conhecidos e desconhecidos, Gorki fazia anotações em um bloco, durante sua primeira vinda à cidade desde a sua eleição.

Nos três dias seguintes à plenária do 42º Congresso da UBES, no sábado (02), a agenda esteve muito movimentada. Gorki deixou Goiânia para um compromisso na Bahia, de onde seguiu para São Paulo. No mesmo dia, parte para uma reunião com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em Brasília. Ainda nesta semana, vai ao Rio de Janeiro, onde compõe ato contra cortes no passe livre estudantil, ameaça do governo estadual fluminense.