O povo unido contra as reformas de Temer

Pessoas de diversas idades, estudantes, trabalhadores e aposentados contam por que são contra o governo golpista e seus retrocessos

Nem o frio, nem a possibilidade de chuva, impediu que as pessoas tomassem as ruas de São Paulo, na tarde desta sexta-feira (28), contra as reformas trabalhista e previdenciária do ilegítimo Temer, no dia que deve entrar para a história como a maior greve geral do país.

Movimentos de moradia, sindicatos de diversas categorias, entidades do movimento estudantil, organizações da juventude e pessoas insatisfeitas com as medidas do governo golpista já ocupavam, desde às 16h, o Largo da Batata, na região Oeste de São Paulo – lembrando em quantidade e diversidade a maior manifestação de junho de 2013, que barrou o aumento da tarifa do transporte público.

As baterias e os gritos de “Fora Temer” aqueciam as gargantas e os corações dos manifestantes que acreditam em dias melhores para o povo brasileiro. “A força sempre esteve na mão do povo, acho que dá para mudar [esses retrocessos]. Hoje, 35 milhões de pessoas não trabalharam. A união de todos pode sim fazer a diferença”, afirma a tradutora autônoma, Manoela Goudone (57 anos) que trabalha sem carteira assinada e disse não ter esperanças de se aposentar caso essa reforma da aposentadoria seja aprovada.

“É um absurdo esse desmonte da CLT, foram anos de luta para, em uma tacada só, ele [o Temer]  acabar com tudo. Tenho esperanças que o Senado não aprove [a reforma trabalhista]”, diz a tradutora Manoela Goudone.

A tradutora Manoela Goudone no Largo da Batata.

A tradutora Manoela Goudone no Largo da Batata.

Essa manifestação reúne gerações diversas. Não é raro encontrar famílias que foram juntas lutar pelos seus direitos. É o caso da estudante pré-vestibular Larissa de Assis Timpone (18 anos) e de sua mãe, a técnica de enfermagem, Margarete de Assis Timpone (43 anos).

“Daqui a um tempo, vai ser minha vez de me aposentar, e se hoje, eu não estiver aqui, futuramente talvez eu nem possa fazer uso deste direito”, diz Larissa, que estava com a cara pintada pedindo “Diretas Já!”. Margarete, que trabalha na área de saúde e percebe, nos últimos tempos, uma grande redução dos postos de trabalho em sua área, diz que “este é um momento em que não podemos olhar para o próprio umbigo, precisamos lutar contra essas medidas e pensar no bem geral de todos”.

Larissa de Assis Timpone e sua mãe, Margarete de Assis Timpone, durante o ato do dia 28.

Larissa de Assis Timpone e sua mãe, Margarete de Assis Timpone, durante o ato do dia 28.

Carlos Alberto (63 anos) é aposentado e poderia ser uma dessas pessoas que olha para o próprio umbigo, mas está presente no ato para lutar pelos direitos de todos os trabalhadores.

“Eu trabalhei 38 anos em um único local, sei como foi difícil, não via a hora de me aposentar. Então, a gente trabalha uma vida na esperança de se aposentar bem e ainda poder conviver com os filhos e os netos. E o que essa reforma da previdência está propondo é uma aberração”, afirma Carlos.

Carlos Alberto durante a manifestação de 28 de abril.

Carlos Alberto durante a manifestação de 28 de abril.

A assistente social Edna dos Santos Correia (32 anos) também se preocupa com o seu futuro. Ela não tem perspectivas de se aposentar, pelas suas contas, ela acha que só vai conseguir se aposentar aos 65 anos. “É preocupante, eu não sei se vou chegar até lá, com o nosso nível de trabalho e estresse”.

A assistente social Edna dos Santos Correia.

A assistente social Edna dos Santos Correia.

A estudante de Geologia da Universidade de São Paulo, Mariana de Souza (21 anos), contou que antes de estar na ali, manifestação no Largo da Batata, estava em sua universidade onde aconteceu, hoje mais cedo, uma grande movimentação de estudantes e funcionários contrários a Temer. “Fizemos um trancaço, nos portões 1 e 3 da universidade, teve grande manifestação, e repressão por parte da polícia, com bombas de efeito moral e balas de borracha”.

A estudante de Geologia da USP, Mariana de Souza.

A estudante de Geologia da USP, Mariana de Souza.

O presidente da UPES, Emerson Catatau, também presente na manifestação, lembrou que hoje é um dia histórico, pois há exatos 100 anos se realizava a primeira greve geral no país. “Há algum tempo, os estudantes têm demonstrado a sua força e capacidade de mobilização não só pela pauta das escolas, mas em defesa do país. Hoje, estamos aqui de novo, em outra greve geral que une estudantes e trabalhadores contra o Temer e as suas reformas”.

Emerson Catatau, presidente da UPES.

Emerson Catatau, presidente da UPES.

Por Natasha Ramos, com colaboração de Sara Puerta e Renata Bars, de São Paulo