O feminismo liberta, o machismo mata

Espaço de reflexão para os boys, durante o 4º EME, lotou o auditório da Faculdade Zumbi dos Palmares

Espaço de reflexão para os boys, durante o 4º EME, lotou o auditório da Faculdade Zumbi dos Palmares

Os meninos compareceram em peso à mesa “Feminismo para que?”, realizada na tarde desta quinta-feira (07), na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo. O debate foi um espaço de reflexão para os jovens secundaristas durante o 4º Encontro de Mulheres Estudantes (EME) da UBES.

Apesar de as mulheres serem maioria na sociedade, a elas ainda é negado o acesso a certos espaços. “Os homens ocupam 95% dos cargos de poder”, comenta Marta Baião, doutoranda em artes cênicas pela USP. Dessa forma, “o feminismo é inevitável para uma sociedade patriarcal com tantas desigualdades”, acrescentou.

Para a professora da UnB, Olgamir Amancia, “ao longo dos anos, temos conseguido conquistar espaços que nos foram anteriormente negados. Mas, é preciso ver o que temos que fazer para ocupar esses espaços e quais são esses espaços”.

Segundo ela, dados revelam que as mulheres estão concentradas em áreas profissionais considerados de cuidados (professora, enfermeira, etc.). “Quando as mulheres ousam estar em áreas consideradas masculinas, elas têm que provar que elas podem estar ali”, acrescenta.

É por conta dessa realidade contraditória, diz Olgamir, que nós precisamos de uma teoria que nos ajude a pensar sobre isso; e essa teoria, o feminismo, é para desconstruir essa ideia da mulher numa posição inferior à do homem.

O combate à cultura do estupro

A cada duas horas e meia, uma mulher sofre estupro coletivo no Brasil. Dados como esse, trazidos ao debate por Isa Penna, vereadora suplente de São Paulo, evidenciam o fato de a mulher ainda conviver em uma cultura do estupro.

“Quando falamos sobre o estupro no ônibus, paradoxalmente eu vejo um avanço nisso. Isso aconteceu a vida inteira, só que agora tem gente denunciando”, disse Marta, citando o caso que repercutiu na mídia sobre o homem que ejaculou em mulheres no transporte público na capital paulista.

“De onde será que surgem essas práticas: o estupro, o assédio o feminicídio? Vem da construção histórica de como a sociedade vê a mulher como um objeto, uma propriedade”, comenta a vereadora.

Se a cultura do estupro é disseminada e reproduzida por todos nós, diz Isa, “isso significa que vocês homens têm sim que tomar partido, quando presenciam um caso de machismo.”

Por Natasha Ramos, de São Paulo

Fotos: Yuri Salvador