Nota Unitária da Reunião da Diretoria Executiva da UBES

Estas são as definições da reunião de 4 de julho na sede da UBES. Próximo Coneg será realizado em setembro

A grave crise politica que vivemos sem dúvidas é a maior da história, se arrasta no Brasil um governo que chegou a galope no Palácio do Planalto, instituído por um golpe parlamentar jurídico e midiático, orquestrado pelos setores mais conservadores da elite brasileira, como a Fiesp, banqueiros e os grandes empresários corruptos. Também importante mencionar o papel dos partidos que tiveram protagonismo no Golpe, como PSDB, PMDB, DEM, entre outros que compõem o governo. Junto a este governo uma agenda retrógrada que não passou pelo o crivo das urnas tenta nos submeter a tempos cruéis onde os direitos básicos não são respeitados e, a participação social, excluída. É a verdadeira destruição das bases do Estado nacional.
Contudo, as grandes manifestações impulsionadas pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo têm papel decisivo na articulação de lutas unitárias capazes de derrotar o Temer e sua agenda. A greve Geral foi um marco importante na luta contras as “deformas” implementadas, reafirmando o repúdio de maioria esmagadora da população brasileira, sobretudo em relação à reforma trabalhista e da previdência. Não vamos trabalhar até morrer. Os estudantes secundaristas têm protagonizado papel fundamental na construção da luta da nossa geração, além do caráter decisivo e das mobilizações de rua dos trabalhadores e estudantes de todo o país.

Desde a instalação do desgoverno de “Michel Fora Temer” e seu ministro da educação que, diga-se de passagem, é o ministro corrupto indicado pelos grandes tubarões de ensino, vivemos uma série de perdas de direitos que conquistamos com muita luta. O ataque ao direito à educação tem como principal fator a concepção de “para que serve e a quem deve servir” a educação pública. A verdade é que as conquistas educacionais obtidas nos últimos anos incomodam a elite, o acesso do povo pobre a espaços que sempre foram considerados como privilegiados.

A educação tem sido duramente atacada. A Reforma do Ensino Médio e a PEC 55 foram as pautas que impulsionaram as lutas populares de massas com as ocupações das escolas e as grandes manifestações em defesa da educação como patrimônio. As políticas de investimento da atual gestão do MEC vem pra destruir a educação pública, só esse ano mais de um milhão e trezentos mil estudantes trancaram ou abandonaram seus cursos nas universidades e a política de assistência estudantil nas escolas tem sido duramente atacada, como política de bolsas e o passe livre estudantil. Devemos nos atentar à privatização da Petrobrás, empresa estatal que vem sendo desmontada e junto a esse desmonte da indústria do petróleo a educação tem perdido bilhões. É preciso pautar o fim do pagamento dos juros da divida pública, parar de “dar dinheiro” aos banqueiros e grandes empresários e sim priorizar o investimento para setores essenciais para a vida da juventude e do povo.

Exemplo disso, por seu caráter essencialmente antidemocrático e autoritário, o projeto neoliberal do governo golpista é incompatível com os mecanismos de participação popular na construção da educação brasileira e suas políticas e, por isso, desestrutura e veta os espaços que davam condições para essa participação. As últimas medidas unilaterais e autoritárias do MEC golpista que desfazem e inviabilizam o Fórum Nacional de Educação e a CONAE 2018, conquistas históricas dos movimentos educacionais brasileiros de interlocução democrática com o governo, demonstram mais profundamente esses processos autoritários. A Portaria 577/17 publicada pelo MEC, que retira do FNE entidades da sociedade civil históricas na construção da educação, nos faz decidir, junto de várias outras entidades do movimento educacional que estavam no Fórum, pelo não reconhecimento desse novo FNE e pela nossa saída coletiva, construindo a alternativa do Fórum Nacional Popular de Educação e da Conferência Nacional Popular de Educação, como um espaço de luta e resistência para enfrentar os retrocessos na educação.

Diante dos desafios que vivemos, é necessário que incorporemos as vozes das ruas e o clamor do povo que pede, indignado contra as reformas e a retirada de direitos, por novas eleições. Recorreremos a nossa história de luta em defesa da mobilização e do voto como ferramenta de devolver ao povo o poder de decidir sobre os rumos da grave crise política, como critério fundamental para barrar e revogar todas as reformas destrutivas ao povo brasileiro.

A participação da juventude na política é fundamental. Os jovens sempre tiveram protagonismo na luta do nosso povo e, mais uma vez, devemos ousar e usar do “Se Liga 16” para impulsionar a discussão sobre a importância do voto, que através dele deve-se decidir os rumos desse momento de grave crise política, mas não somente isso, como nas reinvindicações tanto de mais conquistas como de resistência dos estudantes e da juventude brasileira, a mobilização popular deve ser constante. O movimento estudantil organizado tem como tarefa alcançar mais escolas, corações e mentes. Se liga 16, por novas eleições!

A organização da juventude é fundamental. Só a luta transforma e a história da UBES nos mostra isso. Com a rebeldia de uma jovem, a UBES em breve completará 70 anos e tem em suas mãos os desafios da luta de toda uma geração. Barrar os retrocessos é nossa tarefa histórica fundamental para que possamos seguir conquistando vitórias para transformar a educação.

Carregamos em nosso peito o mapa e as cores da bandeira do Brasil como símbolo do nosso nacionalismo e amor ao nosso país, convocamos os estudantes brasileiros mais uma vez a defender o Brasil. Nesse sentido as atividades da UBES servirão como instrumento de luta contras as reformas e por novas eleições.